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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Poesia da despedida

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Confesso nunca ter sido íntimo das poesias, embora sempre admirasse os poetas, pois acima de tudo, são pessoas que amam de maneira demasiada. Enxergam a vida de forma profunda e sutil. Como não lembrar de Mário Quintana? “Eles passarão, eu passarinho”. Simples assim. Quanto significado os poetas conseguem por em tão poucas palavras. E na semana que passou, recebi de um amigo, uma espécie de “poesia da despedida”. Uma mensagem cheia de significados.

Florbela Espanca

O nome dessa conterrânea de meu amigo português Luis Diabão, que do sobrenome nada tem, era em verdade Flor Bela Lobo, mas ela preferiu adotar outro nome: Florbela d`Alma da Conceição Espanca. Particularmente, um nome que me traz muitos significados. A poetisa portuguesa definiu a poesia como sendo: pedaços de sorriso, branca espuma, gargalhadas de luz, cantos dispersos, ou pétalas que caem uma a uma… Sua biografia é intensa e contundente para quem interrompeu a própria vida aos 36 anos. Mas sua obra permanece tocante, até os dias de hoje.

A mensagem

Na segunda-feira, recebi de um querido amigo, desses com quem a gente troca confidências e reflexões profundas, uma mensagem que só fui ouvir na madrugada da última quarta-feira. Entre outras palavras, ele queria saber sobre as minhas experiências. Como sempre o fazia, me recomendou a leitura de dois livros: “A lógica do cisne negro” e “O novo iluminismo”. Ao se despedir, recitou o poema Vaidade, de Florbela Espanca, que faço questão de reproduzir.

“Sonho que sou a poetisa eleita. Aquela que diz tudo e tudo sabe, que tem a inspiração pura e perfeita, que reúne num verso a imensidade. Sonho que um verso meu tem claridade, para encher todo o mundo! E que deleita, mesmo aqueles que morrem de saudade! Mesmo os de alma profunda e insatisfeita! Sonho que sou Alguém cá neste mundo… aquela de saber vasto e profundo, aos pés de quem a Terra anda curvada! E quando mais no céu eu vou sonhando, e quando mais no alto ando voando, acordo do meu sonho…e não sou nada”.

Desdobramentos

Fui dormir pensando nas respostas que daria ao meu amigo. Ao acordar, peguei o telefone para lhe gravar uma mensagem. À noite, lembro de ter sonhado com ele. Estava tudo pronto. Palavras alinhadas como um comboio. Mas ao pegar o telefone, vi que poucos minutos depois de ter adormecido, um outro amigo em comum me avisava de seu falecimento. Levei um susto. Eu estava com a mensagem presa na garganta. Tinha coisas lindas para dizer ao meu amigo. O silêncio me tirava o fôlego. Fiquei pensativo. E ainda estou. Ouvi a mensagem dele outras vezes e, por fim, me senti lisonjeado por aquela que talvez tenha sido a sua poesia de despedida.

Despedidas

Naquela madrugada, havia terminado de editar um programa de rádio, que falava justamente sobre as despedidas. Interrompi a edição para ouvir a mensagem do Cláudio. Isso tudo me deixou muito impactado com a beleza da vida. Eu poderia ter escutado a mensagem ainda na segunda-feira, ou mesmo durante a terça. Mas não. Ela me veio num momento de muito sincronismo. É por essas e outras que eu acredito muito nas amizades, nos sinais que a vida dá e sobretudo, na importância que devemos dar a quem faz a diferença em nossas vidas. Tudo mudou de repente. De agora em diante, minhas conversas com o Cláudio serão por meio de orações. Vou pedir auxílio à Nossa Senhora de Caravaggio. Ela não vai desamparar seu dedicado devoto e quem sabe, fazer chegar a ele, minha profunda admiração. Siga sua jornada meu amigo!!!

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