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Opinião

De Castelinho dos Sonhos ao Castelinho dos Pesadelos

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Idivir Scandolara
Por Idivir Scandolara
Foto Divulgação

Sempre que pensamos em castelos vem a   nossa mente uma edificação feita com carinho, amor e repleta de histórias e tradições perpetuadas em verdadeiras obras de arte.

É comum vermos castelos cantados em prosas e versos, como por exemplo na música de Nezico/ Creone/ Barrerito: ...“Num lugar longe, bem longe. Lá no alto da colina. Onde vejo a imensidão e a beleza que fascina. Ali eu quero morar juntinho com minha flor. Ali quero construir o nosso castelo de amor “......

Aqui em Erechim, não no alto da colina, mas bem no centro da cidade, temos o que deveria ser ‘O nosso Castelo dos Sonhos’. Construído entre 1912 e 1915, inaugurado em 26/04/1916, (conforme consta em painel informativo localizado na Praça da Bandeira), se transformou num ‘Castelo dos Pesadelos’.

O jornalista Rodrigo Finardi e o próprio Jornal Bom Dia, com frequência abordam o estado de abandono e deterioração do nosso marco histórico da colonização de Erechim.

As crianças na sua inocência e espontaneidade, falam, o que nos adultos, precisamos ouvir. Veja o que disse uma delas ao Jornal Bom Dia em 06/09/2023: “Precisa reformar o Castelinho para ele não cair e destruir o castelo que é bonito. E se ele ficar bonito enfeita mais a cidade. Ele é uma casa antiga, e dai ele conta a história de quem viveu a muitos anos atrás”.

Depois de uma vida de muito trabalho e envolvimento em política e causas sociais, virei um Dom Quixote caminhando pelas ruas da bela Erechim, incorporando um pouco deste personagem romântico de Miguel Cervantes, que na sua ingenuidade altruísta sonhava sempre em ver um mundo melhor, com certeza sem as sangrentas guerras atuais.

Na minha fértil imaginação tenho a impressão que à noite ao passar pelo Castelinho, perdido no meio da escuridão, ouço vozes de nossos antepassados, que com raiva e indignação, desabafam:  “Vocês deixarão que aconteça com o Castelinho o mesmo que aconteceu com o triste episódio do templo da Igreja Matriz São José, no centro de nossa cidade? Vocês, por favor, não deixem os cupins e as intempéries do tempo, derrubar a primeira escola de Erechim, ali no centro, na Av. Presidente Vargas.  Desculpem-nos, mas vocês aí, neste mundo dos vivos, não estão nem aí. Não respeitam o Patrimônio Histórico Cultural da nossa Capital da Amizade, e menosprezam o que de bom fizemos no passado”.

Falando em Patrimônio Histórico Arquitetônico Cultural de Erechim, causa indignação a proliferação de placas enormes nas fachadas de estabelecimentos comerciais na parte central da Av. Mauricio Cardoso. Mesmo existindo uma lei que disciplina isto, o que, lamentavelmente, tira todo o encanto e a beleza dos nossos prédios antigos. Nesse sentido os nossos parabéns aos proprietários do Edifício Durli, do Edifício Todeschini, e também do belíssimo prédio dos herdeiros do pioneiro Pedro Aita, situado na esquina  da J. B. Cabral  com a Valentim Zambonatto , que conservaram as quase centenárias  fachadas  das partes baixas  dos prédios.

Quanto ao nosso querido Castelinho vamos torcer para que não caia, e que os cupins não tenham muita fome, e, ainda, que se encontre uma interpretação mais justa da Lei 8.666 que regula as licitações públicas, ou então que se obedeça aos costumes, as tradições, os princípios gerais do Direito, alegando principalmente o perecimento do bem (prédio), buscando uma solução para esta demanda histórica.

 

 

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