Tenho trabalhado no último ano, principalmente, sob a perspectiva da história do tempo presente, as minhas análises acerca da história de Erechim, e mais recentemente, tenho me pautado nos impactos dos “testemunhos vivos”, aqueles que podem contestar o pesquisador, pelo fato de serem testemunhas de determinado fato ocorrido em uma sociedade.
Trago dois exemplos protagonizados por figuras que frequentam o Arquivo Histórico, o primeiro do Santa Maria e o segundo do Pedro Smaniotto, para ficar nos mais recentes. Entre um café e outro, surgem informações e estórias de determinadas figuras, principalmente de músicos e os locais onde eles tocavam. Volta e meia, pergunto ao Santa Maria se algumas informações “extraoficiais” são verdade ou lendas. Numa destas, os dois amigos citados nesta coluna chegam ao assunto de que o remanejo de um determinado grupo de atividades profissionais influenciavam no desenvolvimento e na expansão de determinados bairros da cidade. Confesso, que fui pego de surpresa.
O segundo exemplo ocorreu durante a realização da oficina "O Arquivo Histórico de Erechim como espaço de pesquisa do Curso de História da UFFS: indígenas, negros, mulheres e pobres no Alto Uruguai Gaúcho" realizada no último dia 05, e que fez parte da Semana Acadêmica do Curso de História, estava eu explicando o que eram os ditos “testemunhos vivos”, e perguntei ao Pedro, se ele conhecia uma certa figura, e ele respondeu que sim. Mais que prontamente, fui até uma obra que tem uma descrição desta pessoa, e que tinha me chamado atenção pelas comparações e adjetivos empregados. Li o trecho e perguntei a ele se esta descrição realmente era coerente, e para minha surpresa, afirmou que sim. Olha aí um testemunho vivo colocando um pesquisador em “apuros”.
Pensar a respeito destas nuances é o ponto de excelência e o de crítica da história do tempo presente. Excelência, pois foge do tradicional distanciamento que demarcava a relação entre pesquisador e objeto de pesquisa. O que a torna sua principal crítica à quem opta por manter-se fiel à história dos grandes homens e dos grandes feitos.
A oportunidade de trazer novos autores sociais e a sua capacidade de interagir com os fatos históricos ajuda a produzir uma história a contrapelo, que analisa as relações sociais, econômicas, políticas e de poder para construir o conhecimento acerca de um determinado acontecimento e de seus desdobramentos.