A coluna de Paiol Grande a Erechim é um desafio semanal, principalmente em tempos que o tempo urge para a confecção e entrega de uma tese de doutorado. Escrever sobre história de Erechim, e temáticas afins, requer pensar além da mnemotécnica. Procuro construir um diálogo entre nossa história e acontecimentos contemporâneos, e tendências historiográficas e das ciências humanas.
Pensar a história de Erechim desde os tempos de Colônia / Distrito de Passo Fundo nos permite analisar as transformações sociais, econômicas e políticas do Rio Grande do Sul e do Brasil ao longo destes 115 anos (10 de Colônia e 105 de Município). Estas mudanças no perfil do Estado e da Federação impactaram diretamente no que compreendemos como o Erechim “de hoje”.
A cerca de três anos, conversava com um bom amigo na UBS do Bairro Progresso acerca dos rumos do pleito que ocorreria nas semanas seguintes. Após ele expor suas angústias emiti minha opinião embasando-a em elementos do próprio pleito. Ele meio descrente, deu de ombros à minha explicação, e eu prontamente verbalizei que poderia emitir uma análise d “A Aldeia” a partir do viés de historiador e na época ex-pesquisador da história local.
Expus a ele, o que hoje é o cerne da minha tese de doutorado (ruminei o assunto por um bom tempo antes de me arriscar no processo seletivo de ingresso do Doutorado da UPF), enfocando no status quo e nas estratificações sociais locais. A cara de surpresa do doutor foi impagável. E tecnicamente, minha análise foi confirmada, tanto que ganhei um whisky de presente em retribuição.
Estes dois parágrafos em tom jocoso refletem um pouco do ofício do historiador. Evoco uma pequena citação contida no prefácio da obra Apologia da História de Marc Bloch “O presente bem referenciado e definido dá início ao processo fundamental do ofício de historiador: "compreender o presente pelo passado" e, correlativamente, "compreender o passado pelo presente"(p.25) para ilustrar esta ideia.
Conhecer a história local nos permite tecer interpretações sobre o presente e o passado da comunidade em questão, suas dinâmicas sociais, políticas e identitárias. Se encamparmos o campo teórico pelo viés da história do tempo presente, temos os “testemunhos vivos” para confirmar e refutar estas interpretações.