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15 de outubro, Dia do Professor

Professor da UFFS, Gérson Fraga, pontua que a educação é uma poderosa ferramenta para a construção do desenvolvimento econômico, formação de identidades ou ainda para a transformação do próprio indivíduo

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Professor Gérson Fraga da UFFS Erechim
Por Carlos Silveira
Foto Divulgação

O Dia do Professor é comemorado no Brasil no dia 15, domingo, e foi estabelecido em 1963 durante o governo de João Goulart. É uma data que homenageia a importância do professor e é comemorada em dias diferentes em outros países.

Quando surgiu

 O dia foi criado com o intuito de homenagear o profissional de grande importância no desenvolvimento de todos os seres humanos, pois é ele que alfabetiza e ensina as principais áreas do conhecimento às pessoas, durante sua formação escolar.

Quando se fala do professor, refere-se aos profissionais que participam da formação de uma pessoa, na Educação Infantil, no Ensino Fundamental, no Ensino Médio e no Ensino Superior. O papel do professor em todas essas etapas é crucial para o desenvolvimento humano.

 A data é celebrada em 15 de outubro em referência a d. Pedro I, que, no dia 15 de outubro de 1827, emitiu uma lei sobre o Ensino Elementar. No que se refere ao desenvolvimento da educação no Brasil, essa lei foi considerada um passo muito importante porque tratou dos objetos de estudo dos alunos, definiu que todas as cidades do Brasil deveriam ter Escolas de Primeiras Letras (Ensino Fundamental), e até estipulou o salário dos professores.

 Mais de um século depois da lei, um professor do estado de São Paulo decidiu utilizar a data 15 de outubro como o momento oportuno para estabelecer um dia de folga a esses profissionais tão atarefados. O idealizador foi Salomão Becker, e de sua ideia se organizou uma confraternização entre professores e alunos.

Dia do professor: para que(m) serve teu conhecimento?

 Ao falar sobre a data, o professor da Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus de Erechim, Gérson Wasen Fraga destaca que não se constitui em nenhuma novidade o fato de que a educação é uma poderosa ferramenta para a construção do desenvolvimento econômico, para a formação de identidades (nacionais, regionais, religiosas, étnicas, etc.), ou ainda para a transformação do próprio indivíduo, sendo um caminho eficaz para romper com trajetórias familiares calcadas na pobreza.

 “Contudo, muito embora as premissas acima não sejam excludentes, o ensino escolar, guiado por projetos conservadores, também pode se constituir em um elemento de consolidação do atraso, do preconceito e da exclusão”.

Fraga pontua que não há coletividade que trilhe o caminho do desenvolvimento sem conferir importância ao ensino, em todas as suas dimensões, sejam elas técnicas ou humanísticas, científicas ou artísticas. “É com uma formação holística, capaz de pensar o mundo e o conjunto dos seres humanos como objetivo último de sua ação, que construímos a senda de uma sociedade justa e desenvolvida. A título de exemplo, não há como querer ensinar sobre “projeto de vida” sem que entendamos primeiro todos sentidos existentes na palavra “vida”.

“Por qual razão ao longo da história, algumas vidas parecem valer mais do que outras? Qual a relação deste conceito com outros que podem lhe acompanhar, formando assim ideias mais complexas como “qualidade de vida”, “vida digna” ou mesmo “direito à vida”? E o que seriam as “Vidas Secas”? Por que razão elas existem ou existiram? Quais seriam as vidas não secas e qual a relação entre ambas? As perguntas possíveis de serem feitas são muitas e, tomadas em seu conjunto, exemplificam o quanto o ensino pensado de forma plena e holística é capaz de formar espíritos críticos e transformadores”, pontua Fraga.

De semelhante modo, porém, o ensino, acrescenta ele, que como produto da ação humana, pode tomar o papel de ferramenta para a manutenção do status quo e da dominação dos homens sobre outros homens. “Para pegarmos um exemplo talvez nem tão próximo, mas candente nos dias que correm, citamos o trabalho da professora israelense Nurit Peled-Elhanan, docente da Universidade Hebraica de Jerusalém, sobre como os livros didáticos daquela nação visam formar crianças e adolescentes para serem soldados e temer os palestinos, integrando assim um projeto colonial e racista. Com as devidas adaptações, este exemplo dialoga outros tempos e contextos”.

 “É claro que outros elementos, como a desvalorização da carreira docente, a construção de itinerários qualitativamente diferenciados para alunos socialmente diferenciados ou mesmo a construção de cruzadas conservadoras contra o ensino progressista integram historicamente projetos que não visam além da manutenção das desigualdades.

Desta forma, qualquer tentativa de reposta à questão trazida no título passa necessariamente pela concepção que governos e sociedade possuem a respeito da educação e de seu papel enquanto ferramenta de transformação (ou não) das estruturas sociais”, conclui.

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