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Opinião

Memórias de Viagem: Japão e cruzeiro pelo Mar da China (Parte XVIII)

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Por Marlei Klein

“Na época em que o Vietnã pertenceu à França, os franceses viram uma agradável alternativa para enfrentar o calor sufocante de verão das planícies costeiras do país vietnamita. Da Lat tornou-se a estação montanhosa preferida dos colonizadores franceses. Neste planalto de 1.500m de altitude, onde um ameno clima de primavera reina durante todo o ano, eles criaram a Pequena Paris. Da Lat é chamada de Cidade do Amor porque, há muito tempo, atrai os vietnamitas em lua-de-mel, que vêm em busca da magia da montanha, com suas paisagens salpicadas de lagos de águas claras, cachoeiras, florestas e jardins floridos...”

 

Reminiscências

O navio atracou no Porto Chan May, no Vietnã. A primeira visita foi na cidade de Danang, terceira maior cidade do país. É chamada de Cidade da Pontes pelas inúmeras e belas passagens sobre o Rio Han. Cidade de muitos monumentos que ainda estão sendo restaurados pelas perdas da Guerra do Vietnã com os Estados Unidos, por terremotos e tsunamis. Eles refletem a antiguidade vietnamita.

Vietnã- Hoi Han

Em nenhum lugar, o encanto e a história do Vietnã se conservaram mais do que na antiga cidade portuária de Hoi Han. Entre os séculos XVI e XVIII foi um importante centro de mercadores e marinheiros japoneses, portugueses, holandeses, árabes, chineses e franceses. Por milagre, a cidade e quase seus 800 edifícios históricos resistiram à Guerra do Vietnã. Charmosa cidade com importante porto comercial do Sudeste Asiático. O mercado local é muito interessante, muito colorido. Atraente é aventurar-se por suas ruazinhas e encontrar várias lojinhas com variado comércio. É o momento certo para adquirir lindas lembranças de viagem. Tudo é muito perto. Uma rua leva à maioria das atrações.

Sua história

A história e orgulho da população está na sua herança arquitetônica. Em estados diversos de preservação, os numerosos templos, residências, fontes, pagodes, pontes e lojas permitem que o visitante percorra por séculos de história e cultura. Quase tudo está aberto ao público sem custos. É possível andar, pois tudo está próximo: do lindo prédio da Assembleia, de arquitetura francesa, a Ponte Japonesa Coberta. Tudo está sendo restaurado e preservando a originalidade, sem a criação de modernos parques temáticos. É a mais colonial das cidades vietnamitas.

Avanço do turismo

Como o turismo está sendo a maior fonte de renda, a originalidade não permanecerá por muito tempo. Alguns trechos das lindas praias, depois da cidade, não ficarão livres, por muito de resorts e barraquinhas. Seria lamentável, pois é uma cidade com grande riqueza histórica e artística. O desenvolvimento não espera e avança rapidamente por essa lembrança atemporal de influência europeia.

Histórica e artística

Hoi Han é a charmosa cidade das costureiras e dos sapateiros. Repleta de resquícios da sua colonização francesa. Por toda a parte, lindas lanternas estão colocadas em árvores e assim que escurece, suas luzes coloridas enfeitam e iluminam a pequena cidade. Uma vez por mês, por algumas horas, as luzes são apagadas para ficar somente com as das lanternas. Nessa ocasião, os habitantes soltam pelo Rio Thu Bon, que divide o centro, pequenos barcos de papel iluminados com velas.

Centro de artesanato

Visitamos um local onde bordadeiras executam delicadíssimos trabalhos com finas agulhas e linha de seda. São tão perfeitos que parecem pinturas. Conhecemos uma antiga fábrica que produz os fios de seda. Nela há a própria criação dos bichos-da-seda com seus casulos. Os fios são tingidos em cores diversas e enrolados num tear manual. É um trabalho realizado somente por mulheres.

Almoço típico ao lado fo Rio Thu Bon

O nosso almoço foi num lindo jardim, ao ar livre, ao lado do rio. Este rio vem a ser um braço do principal Rio Han. Pudemos admirar lindos casarões no estilo colonial francês às margens do rio. Suas cores iam do amarelo ao ocre com muitos detalhes nos telhados. Em meio ao jardim, nossas mesas estavam cobertas com alvíssimas toalhas bordadas. As cadeiras detalhadas em ferro e almofadadas em branco também. Muitas árvores deixavam o lugar fresco e agradável. A louça era inglesa e as atendentes, além de simpáticas, estavam vestidas tipicamente, não faltando o chapéu redondo em ponta. O arroz é a grande cultura agrícola do Vietnã e é exportado para o mundo todo.  O delicioso almoço foi de muitos pratos. Os destaques foram para o “Cau Lau” e o “White Rose”. O “Cau Lau” são retângulos pequenos de lombo de porco com bolinhos de arroz. Foi servido enfeitado com uma bela flor de cenoura, em forma de orquídea, sobre folhas verdes. O “White Rose” é uma massa feita com farinha de arroz.  Foi servida com tiras de frango assado, enrolados em coco crocante sobre porção de purê de espinafre. As sobremesas divinas! Sagu com leite de coco e pedaços de banana caramelada - Rolinhos Vietnamitas: em papel de arroz- pedaços de morangos e de pêssegos com iogurte natural, mel e canela. Maravilhosa culinária vietnamita!

Conclusão

Nas ruas de Hoi Han, são tradicionais as mulheres vendedoras de frutas. Simpáticas e sorridentes. Com vestes longas e chapéus redondos em ponta, carregam nos ombros uma madeira com dois cestos redondos suspensos por corda, um de cada lado, ficando um na frente e outro nas costas. São frutas frescas, lindas e diversas. Pedem para tirar fotos em troca de um dólar americano. Elas são a imagem e a lembrança do Vietnã tradicional.

 

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