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Saúde

Campanha de prevenção ao suicídio visa conscientização coletiva da população

Psicóloga erechinense defende acolhimento de pacientes por parte das famílias e profissionais de saúde

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Mais do que alertar sobre o suicídio, a campanha "Setembro Amarelo", que no Brasil é realizada desde
Por Ragnara Zago
Foto Divulgação

Cada vida perdida representa o amor e a importância que essa pessoa tinha para alguém. Mais do que alertar sobre o suicídio, a campanha "Setembro Amarelo", que no Brasil é realizada desde 2014, busca estimular a participação e atenção coletiva sobre o tema. Para a psicóloga erechinense, Bruna Moraes Cardoso, o olhar para aqueles que estão próximos é fundamental para salvar vidas, começando pela diferenciação entre a tristeza passageira e a aflição mental séria.

 

“Existem uma série de manejos extremamente importantes e que podem contribuir decisivamente no cuidado das pessoas em risco de suicídio. É papel dos profissionais da saúde que acompanham o caso, treinarem, literalmente, as pessoas próximas aos pacientes para que usem estas estratégias da forma mais assertiva possível. Um ponto que acredito ser imprescindível ressaltado é a prevenção, que sempre será a melhor e mais efetiva forma de cuidado”, afirma.

 

Tristeza passageira e aflição mental séria

 

A profissional explica que existe uma diferença entre tristeza passageira e aflição mental séria, e que as pessoas possuem dificuldade em entender os dois pontos. “A tristeza é uma emoção inata, ou seja, diante de uma situação de perda ou perspectiva de perda, todos nós seres humanos a sentimos. Emoções são como marcadores somáticos que nos informam o que é importante, o que devemos nos aproximar ou não, nossa essência e valores. Desta forma, tanto a tristeza quanto outras emoções básicas são importantes serem sentidas e avaliadas, por mais difíceis que possam parecer”, explica.

Ela acrescenta ressaltando que as pessoas com medo de suas emoções, se assustam com a tristeza, como se ela fosse indicadora de depressão, suicídio ou outro problema mental, o que não é verdade. “Transtornos Mentais agudos ou crônicos como a Depressão Unipolar e Bipolar, Ansiedade Generalizada, entre outros: são condições independentes das emoções sentidas no nosso dia a dia em função de fatos que nos aconteçam ou de interpretação a eles”, pondera.

A importância do sentir, não pode ser deixada de lado, segundo Bruna. “Para uma vida saudável e satisfatória precisamos aprender a sentir tanto emoções agradáveis quanto desagradáveis, e a usarmos para aprofundar nosso autoconhecimento e podermos tomar decisões mais próximas de nossa essência. Todos estes movimentos de autocuidado são fatores protetivos para doenças mentais graves, que nos promovem maturidade e resiliência”, salienta.

 

Setembro Amarelo

 

Anualmente, as pessoas vêm abraçando a causa do Setembro Amarelo, pois como explica a psicóloga, é necessário falar sobre o tema para que haja apoio e esclarecimento da questão. “Ao longo dos tempos houve a formação de uma cultura em que falar sobre suicídio era o mesmo que fomentar o aumento do risco de novos casos. De fato, notícias e a própria literatura, em alguns momentos de nossa história passada, romantizaram a ideia de suicídio como sendo um gesto de amor e/ou coragem. O Setembro  Amarelo resgata o olhar para o suicídio como um problema real da humanidade, que se mostra gravíssimo tendo em vista a alta incidência de pessoas que tiram a própria vida em todo o mundo e que só vem aumentando ao longo dos anos. A campanha vem para informar, instruir, trabalhar a prevenção e, principalmente quebrar todos os tabus e estigmas errôneos sobre o tema”, frisa.

 

Tratando as desordens mentais

 

O primeiro passo para tratar problemas de desordens mentais, envolve uma avaliação profissional para determinar o melhor plano de tratamento. “É indispensável buscar ajuda de profissionais da área da saúde, como médicos e psicólogos que, no caso do risco de suicídio, deverão de imediato realizar o encaminhamento do paciente ao médico psiquiatra. Esse avaliará de acordo com caso quais são as medidas de segurança a serem seguidas e quais formas de tratamento se mostrarão mais eficazes”, indica.

 

Terapia de luto

Já nos casos de suicídio, a terapia de luto, grupos de apoio e aconselhamento familiar são recursos importantes para lidar com as complexidades e sensibilidades dessas situações. “Há estudos científicos que identificam que diante de um paciente que comete suicídio, existem um grupo de em média dez pessoas próximas a ele que adoecerão emocionalmente. Com estes dados podemos dizer enquanto hipótese que perder alguém próximo a nós por suicídio é um fator de risco para nosso adoecimento mental”, destaca Bruna.

 

Saiba mais

 

Suicídio no Brasil

 

Segundo levantamento divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), anualmente, mais de 700 mil vidas são perdidas devido à problemas de saúde mental, o que representa uma morte a cada 100 registros de óbito. Entre jovens com idades entre 15 e 29 anos, o suicídio ocupa o 4º lugar como causa mais frequente de óbito, ficando atrás apenas de acidentes de trânsito, doenças e violência.

 

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