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Opinião

O Mate e a Revolução Farroupilha

“O mate foi a guerra! ”

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Roberto Ferron
Por Roberto Ferron - Engenheiro Florestal
Foto Arquivo pessoal

Esta matéria escrevi no dia 16/09/2013, e é tão atual como hoje.

A história da erva mate, do chimarrão, é bem anterior a Revolução Farroupilha, que iniciou em setembro de 1835 e foi até 1845. Portanto, houve 10 anos de batalhas entre os revolucionários, comandados por Bento Gonçalves e por Antonio Rodrigues Fernandes Braga, Presidente da Província de São Pedro, federalista e leal as forças do Império.

Em meu primeiro artigo sobre erva mate denominado a “Santa e Milagrosa Erva Mate”, publicado em outubro de 2002, escrevi “A cultura da erva-mate atravessou o tempo, remonta a história do Brasil 500 anos...esta espécie vegetal, chamada erva-mate (Ilex paraguariensis ST. Hil.), ou yerba mate é a própria essência do Mercosul. Pois, nenhum outro produto une tão fortemente os países do Mercado Comum do Sul. O uso do mate difundiu-se pelas Colônias Espanholas. O hábito dos índios contagiou os conquistadores Espanhóis, difundiu-se pelas Colônias e Reduções Jesuíticas, inclusive fazendo a riqueza dos Jesuítas no século XVII.

“A América nasceu bebendo mate. Perdendo-se na noite da Pré-história Americana, o que se sabe, portanto, com segurança, é que ela era elemento básico na alimentação dos Guaranis, cuja tribo se espalhava pelo vasto território, banhado, sobretudo, pelos rios Paraná, Uruguai e Paraguai. Segundo Temístoclos Linhares em seu Livro A História Econômica do Mate (1969), descobriu-se perto de Lima no Peru, que os Incas faziam, com folhas de erva-mate, armas, tecidos e joias”.

Nós, gaúchos “de quatro costados”, somos um povo diferenciado do restante do Brasil. Talvez, pelas guerras travadas com os países vizinhos e pelas batalhas e revoluções internas, que muito nos ensinou.  Como diz o próprio Hino Riograndense, “Mas não basta para ser livre, ser forte, aguerrido e bravo, Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”.

Assim, há décadas cultuamos e reverenciamos nossas tradições e costumes. Quando chega setembro, o Rio Grande do Sul floresce, como os ipês amarelos, rosas e roxos, que mostram sua exuberância. Transformamo-nos para comemorar um grande feito – a Revolução Farroupilha. Os CTGs montam rondas crioulas, muitos municípios constroem os Acampamentos Farroupilhas, onde a gauchada fica uma semana confraternizando, relembrando as proezas dos bravos farroupilhas ou maragatos, que lutaram contra as forças federalistas do império, por uma causa justa, nobre e até contemporânea: “a cobrança de altos impostos no comércio de couro e charque, importantes produtos da economia do Rio Grande do Sul naquela época”.

E não fugindo a regra, é mesma razão que continua a revoltar o nosso povo!

Durante esta semana, todos, crianças, jovens, adultos e velhos, como em metamorfose se transformam em prendas, peões, xirus, índios guapos. Que em vestimenta típica, unindo famílias, se pilcham para cultuar suas paixões: a música, a dança, o cavalo, o churrasco e o chimarrão.  É neste momento especial, que os pais empolgados pilcham seus piazitos e prendinhas, os levam aos shows nativistas, acampamentos, mateadas, e ao Desfile Farroupilha de 20 de setembro.  É neste entrevero esfumaçado, que o mate rola de mão em mão, desde a aurora até altas horas da noite.

Pois este é o momento sublime do mate. Quando o chimarrão é oferecido aos forasteiros, aos visitantes, aos amigos, e aos gauchinhos e gauchinhas, como símbolo de hospitalidade, amizade, respeito e hombridade. É na Semana Farroupilha que brotam os novos mateadores. A cultura, a tradição gauchesca de cevar o mate, se transforma num hábito eterno, levado de pai para filho, de amigo para forasteiro, de mão em mão, neste vasto rincão.

Mesmo que, os insurgentes perderam a batalha, a Revolução Farroupilha continua fazendo novos adeptos ao mate. Nas comemorações, quer parecer que os farroupilhas foram os vencedores. Talvez, pelo feito ser maior que o resultado das batalhas. Não é em vão que a erva mate é a “árvore símbolo do Estado”, e o chimarrão “a bebida oficial do gaúcho”.

“Que sirvam nossas façanhas, cultuar o mate, a hospitalidade, a amizade, a paixão e o amor por este chão, de modelo a toda terra.”

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