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Ensino

Professora de Cacique Doble é a única gaúcha da rede estadual em capacitação internacional

O impulso sonhador e a determinação em qualificar e expandir os conhecimentos nunca abandonaram a Maikeli Carniel

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Maikeli passou oito semana no Canadá em capacitação da CAPES
Maikeli foi para Niagara College, em Welland, junto com 48 professores
Por Emerson Carniel
Foto Arquivo Pessoal/Maikeli Carniel

O sonho de viajar e estudar fora do Brasil se tornou realidade para Maikeli Carniel (39), após pisar em terras canadenses, às 6h, do dia 25 de maio. Movida pelo desejo de alcançar novos voos e com um projeto educacional em mãos, a mestre em Química e professora da Escola Estadual de Educação Básica Sylvio Dal Moro, de Cacique Doble/RS, esteve entre os 96 educadores que participaram do Programa de Desenvolvimento Profissional de Professores da Educação Básica, promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em parceria com o Colleges and Institutes Canada (CICan).

Maikeli foi a única gaúcha da rede estadual de ensino escolhida para passar oito semanas no Canadá, entre os meses de maio e julho. A professora concorreu às seis vagas disponíveis na região Sul do país para docentes do ensino médio no edital aberto em 2019. A viagem programada para o ano seguinte acabou interrompida pela pandemia da Covid-19.

“Foi realmente uma grande decepção ter o meu sonho adiado devido à pandemia. No entanto, durante esse período conturbado, aconteceram diversas situações que me fizeram repensar a importância dessa viagem”, conta Maikeli.

Durante o período, ela enfrentou a tristeza e a dor da perda do pai, vítima da doença. E essa experiência a fez refletir sobre as suas prioridades e responsabilidades tanto pessoais quanto profissionais.

Novas dificuldades

A Maikeli realizou algumas etapas até ser selecionada, desde o cadastro do currículo na plataforma CAPES de Educação Básica até a elaboração de um projeto de intervenção pedagógica e a comprovação de seu vínculo efetivo com a rede pública de educação. No decorrer do processo, a principal dificuldade foi a demora nos trâmites de liberação de documentos por parte da Secretaria Estadual de Educação.

“Devido à falta de professores e o tempo hábil para o processo passar pelo que precisava, demorou e sem a liberação seria impossível viajar. Foi preciso enviar até a publicação no diário oficial para a compra de passagens. Esta foi a maior dificuldade, as coisas demoram muito a acontecer”, expõe a docente.

Ela complementa ainda que “alguns colegas conseguiram o visto canadense e a liberação das secretarias de educação na semana da viagem”.

O projeto

Cada participante desenvolveu um projeto de intervenção pedagógica a partir da própria experiência profissional. Com um projeto sobre sustentabilidade em fase final, Maikeli resolveu trocar o tema para valorização da vida e prevenção ao suicídio, após vivenciar casos em seu ciclo social.

O projeto desenvolvido pela professora se chama “Toda vida importa” e tem como objetivo principal sensibilizar e conscientizar estudantes e a comunidade em relação aos altos índices de suicídio. Palestras, workshops, peças teatrais, pesquisas e avaliações médicas são algumas das ações que a educadora irá colocar em prática dentro de sala de aula.

“Irei priorizar um aprendizado baseado em projetos, onde todos os alunos participem ativamente e se sintam desafiados a buscar mais. Utilizarei minhas experiências no Canadá para criar um ambiente de ensino estimulante, inspirando os alunos a explorar seus interesses e desenvolver habilidades”, pontua Maikeli.

O projeto de valorização da vida será realizado na escola durante o mês de setembro em parceria com a comunidade e instituições. As atividades irão coincidir com a campanha de conscientização sobre o suicídio, o Setembro Amarelo.

“O meu objetivo é inspirar os alunos a se tornarem aprendizes ao longo da vida, preparando-os para os desafios e oportunidades futuras”, destaca a mestre.

Em grupos

Fora do país, os brasileiros foram divididos em dois grupos. Foram 47 pessoas para o Fanshawe College, na cidade de London, e 49 professores para o Niagara College, em Welland, nesta última estava Maikeli.

“Foram oito semanas de atividades, sendo 2 semanas dedicadas ao ensino do inglês como segunda língua. Nas demais semanas, foram abordados temas como a aprendizagem experiencial, o sistema educacional canadense, as abordagens centradas no aluno para promover a aprendizagem ativa, a importância da sala de aula inclusiva, as técnicas de gestão de sala de aula e a utilização da tecnologia no ambiente educacional”, relata.

Contato com novas culturas

Durante os dois meses no país norte-americano, Maikeli pode perceber o multiculturalismo do Canadá. “Conheci pessoas de diferentes origens, aprendi sobre suas tradições e compartilhei minha própria cultura com elas. Essa troca cultural foi uma das partes mais enriquecedoras da minha experiência no exterior”, conta.

A educadora se surpreendeu com o elevado nível educacional do país e o ponto alto da viagem foi poder compartilhar as experiências com as pessoas que encontrava pela jornada. “Cada pessoa tinha uma história única para contar e pude expandir meu conhecimento sobre o Brasil de uma forma que não seria possível em outro lugar. Essas interações foram verdadeiramente enriquecedoras e me proporcionaram uma compreensão mais profunda da diversidade cultural. Foi uma experiência inesquecível”, afirma.

O programa

O Programa de Desenvolvimento Profissional de Professores da Educação Básica no Canadá é resultado da parceria entre a CAPES e o CICan e tem como objetivo promover a capacitação de professores em efetivo exercício nas escolas públicas de educação básica, em qualquer etapa ou disciplina de atuação.

O curso, com extensão de oito semanas, trabalha o inglês básico, módulos temáticos sobre a aprendizagem centrada no aluno e a gestão de sala de aula. Os bolsistas receberam benefícios como passagem aérea internacional de ida e volta, ajuda de custo, seguro-saúde, deslocamento no Canadá (aeroporto/universidade/aeroporto), alojamento e curso de formação e material didático.

Um novo acordo deve ser firmado entre a CAPES e o CICan para a seleção e capacitação de outros professores, mas não há data concretizada.

Professores capacitados

A qualidade da educação básica no Brasil inicia com a formação e habilitação eficazes dos professores. Além disso, a experiência pessoal de cada docente influencia na maneira de transmitir o aprendizado aos alunos.

Para a coordenadora da 15ª Coordenadoria Regional de Educação, Juliane Bonez, a bagagem cultural do docente qualifica o ensino dentro do ambiente escolar. “A importância dessas vivências é fundamental, porque sempre que estamos em sala de aula como professores, nós estamos trazendo junto em nossa bagagem as experiências de nossa vida, assim como a vida de cada estudante que também é protagonista do seu processo. Então, estar em outros espaços, conhecer outras culturas, se especializar dentro de sua área de atuação, com certeza traz qualidade e presencialidade para a escola e sala de aula”, destaca Juliane.

De acordo com a CAPES, o acesso a conhecimentos e inovações pedagógicas melhora o processo ensino-aprendizagem das escolas da rede pública. Em resposta sobre a importância do intercâmbio educacional para o desenvolvimento da área no país, a Fundação assegura que “esses profissionais se tornam agentes multiplicadores das aprendizagens adquiridas no curso, aumentando os resultados da ação e do investimento da CAPES”.

O retorno ao Brasil foi no dia 22 de julho. Maikeli voltou motivada e inspirada a compartilhar tudo o que aprendeu e deseja fazer a diferença na vida dos alunos. “Após uma viagem enriquecedora, sinto uma mistura de alegria, felicidade e satisfação pela realização de um sonho e pelo conhecimento aprimorado na educação”, conclui.

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