O Auditório João Picoli, do Sindicato Rural de Erechim, ficou lotado para a palestra sobre tendências de mercado de grãos, com o economista Ruy Silveira Neto, da Farsul, na noite da quinta-feira, dia 15. O evento foi uma realização do Sindicato Rural, com apoio do Banrisul de Erechim.
Ao dar as boas-vindas ao público, o presidente do sindicato, Allan Tornem, reforçou a importância de trazer para dentro da entidade essas oportunidades, em que é possível acessar informações reunidas pelo departamento econômico da Farsul, um dos mais renomados do país.
– Infelizmente temos variáveis que não conseguimos controlar, a exemplo do clima e do mercado. Mas, é fundamental estarmos atentos a que podemos mitigar dentro da porteira, como a gestão de custos e o uso consciente dos recursos. É um desafio grande, mas uma das saídas para gerenciar os negócios de maneira sustentável – salientou.
O economista Ruy Silveira Neto compartilhou uma visão mais conservadora em relação aos preços de milho e soja para os próximos ciclos. Tendo em vista as estiagens que o Rio Grande do Sul passou nos últimos anos, isso comprometeu a renda de muitos produtores que investem em milho e soja. Mas, em outras regiões do Brasil a safra transcorreu normalmente. Quer dizer, a queda dos preços pagos na última safra prejudicou ainda mais os produtores do Estado.
Segundo ele, o lado bom é que o custo de produção vem caindo, o que pode impactar em menos desembolso para plantar a safra 2023/24. Outro dado é que o Brasil terá 25 milhões de toneladas de soja acima da demanda e deve se tornar o maior estoque mundial do grão, o que também vai impactar na cotação.
– Falando em preços de soja, não há expectativa de melhora. É um cenário que requer atenção e estratégia por parte do produtor, especialmente em travar preços com contratos futuros, de modo a garantir o pagamento dos custos, para depois buscar a lucratividade – orientou, reforçando que a trava de custos é uma das ferramentas mais recomendadas para a temporada.
Em relação ao milho, também está com custos em queda e tem menos estoque no Brasil, então pode-se esperar uma sustentação de preços, mas não uma ocorrência de grande aceleração como já se viu em safras anteriores. Apensar de menor, o desencaixe entre oferta e demanda deve seguir ditando o ritmo dessa comercialização.
Já o trigo é considerado uma alternativa para minimizar custos na propriedade rural ao longo do ano, apesar dos riscos apontados pelo clima, que sinaliza para um inverno chuvoso e que reflete na qualidade final do produto e, consequentemente, no preço pago ao produtor. “Mas, o custo da lavoura de trigo também está caindo, então há que se considerar sim esta cultura neste ano diante do atual cenário”, pontua o economista.
Por mais desafiadora que seja a situação, o economista ponderou que o Brasil segue crescendo graças ao agronegócio e que está inserido neste contexto mundial como exportador há pouco tempo, então, ainda tem muito a evoluir nesse sentido. “Com muita cautela e estratégia, vamos conseguir continuar crescendo”, salientou.
Após a palestra, a equipe do Banrisul, liderada pelo gerente-geral da agência do Centro de Erechim, Ademir Vargas, compartilharam informações sobre o posicionamento do banco diante do agronegócio.
Próximas agendas
Estão confirmadas mais duas palestras com temas extremamente relevantes para o agronegócio regional no Sindicato Rural de Erechim. No dia 3 de agosto, a entidade recebe o ex-ministro da Agricultura e atual presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra. Ele vai expôs dados da pecuária, explanando sobre os desafios na produção de carnes diante do atual cenário político e econômico.
Para o mês de outubro está programada a palestra com o economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz, conhecedor do agronegócio e de todas as nuances que influenciam as diversas cadeias produtivas. Este encontro está agendado para o dia 5 de outubro.