Celebrar! Verbo capaz de diversas conjugações. - Comemorar; exaltar algo ou alguém; receber algo de modo festivo. A vida é a nossa maior preciosidade, é o nosso tempo, é a nossa casa. Por alto, vivemos e criamos em nossa volta momentos que marcam nossa passagem. É de conhecimento que ninguém nasceu para lá no futuro, se transformar em uma sementinha. A nossa casa - a vida, é passageira, e por isso o maior desejo é viver com saúde, e poder falar a seguinte frase, ‘espero viver até os 100 anos'.
O centenário da vida
As marcas no rosto, e os simplórios cabelos brancos já deixam claro, aqui tem muita história a ser contada. Que privilégio! Que benção! Dona Antônia Josephina Rosset Giacomelli de Barão de Cotegipe, recebeu o dom da vida, em 24 de dezembro de 1922. E que dom, poder celebrar a vida na véspera de Natal. Da união com seu Segundo Giacomelli, (já in memorian), dona Pina, como é carinhosamente chamada, tem 13 filhos, Euclides, Venilde, Helena, Geni, Jair (in memória), Vilma, Moacir (in memória), ljair (in memória), Geonir e Gilmar, sempre com muita paciência, ensinando-os as orações o catecismo, e a importância da fé.
Uma mãe com o coração gigantesco, e que acolheu outros três filhos de seu esposo, afinal, esse é um grande exemplo de amor incondicional. Antônia foi agraciada com 83 netos, 121 bisnetos e 10 trinetos. “Eu sou feliz com eles, porque eles me querem bem”, responde Dona Antônia sem pensar duas vezes.
Celebrar a vida
Ter o privilégio de completar 100 anos de idade pode-se dizer que é um dom de Deus, e a fé é uma ponte para a chegada tão esperada. Fé! Antônia é devota de Nossa Senhora das Graças e ao Divino Pai Eterno. E nada mais especial que agradecer esse dia, celebrando da forma como Pina sempre fez, - orando. Junto com os familiares, no sábado (24), na modesta Igreja da comunidade de Nossa Senhora das Graças, de Barão de Cotegipe, foi realizada a celebração em honra aos 100 anos de Dona Antônia. Como é bom poder reunir, irmãos, filhos, netos, bisnetos, trinetos. Mas como é ainda melhor poder encerrar o ano, e findar com ciclos tão importantes. Que benção é, comemorar a vida junto a uma das datas mais especiais para o ser humano, - o Natal. E que estima renascer em um novo ciclo, o centenário da vida.
Sonhadora, imaginativa e intuitiva
Antônia é assim, um misto de emoções e sentimentos, que no fim a transforma em uma mulher de persistência, fibra e coragem. Sempre, desde nova, adorava o contato com a natureza. De possuir e cuidar das suas flores, assim como também com animais. “Eu gostava muito de flores, de cuidar do meu jardim. A, se gostava! Gostava muito de carpir, cuidar de tudo, mas hoje não consigo mais”, conta Dona Pina. Mas não é só de carpir que Antônia gostava, a cara senhora, ainda hoje, com 100 anos e muita habilidade, sentadinha em sua cadeira na varanda da casa, trança com cuidado as palhas úmidas de trigo, que no final se transformam em chapéu. Mais uma história que Dona Pina, aprendeu na infância.
Desde nova, residiu no interior de Barão de Cotegipe, com isso criou um laço muito forte com a natureza, e tudo o que aqui produzia. Muito simpática, e cheia de amor, a cara Dona Antônia, ainda muito lúcida de suas histórias, sente orgulho em poder deixar sua marca na vida de tantas pessoas. E quando perguntada sobre o que a vida significa para ela, com um profundo suspiro responde, “A vida é para viver. Principalmente ter fé e amor, porque o restante a gente sempre consegue, não importa como, mas a gente consegue”.
Para um dos filhos, que mora junto com Dona Antônia é um privilégio poder ver a batalha construída e vencida pela idosa. “O exemplo de vida que ela construiu até aqui, nos enche de orgulho. Isso é motivo de muita alegria para todos nós. Sempre enfrentou as dificuldades com um sorriso no rosto”, conta Geonir. Uma mulher de fibra, essa é a palavra que define Antônia para sua nora, Vilma. “Ela teve perda de filhos pequenos, e isso não fez com que ela deixasse de seguir a vida dela. Ao contrário, ela se transformou em uma mulher mais forte ainda. Sempre aprendeu a abraçar a superação, e assim viver”, explica.
Viver, porque afinal como já diz Mário Sérgio Cortella, “Nós não somos imortais, mas podemos ser eternos”