“Objetivo em contar a história das Estações Ferroviárias é abrir os olhos de toda a população para a realidade histórica que está, em alguns lugares, sendo perdida. A vida começou por aí, por uma estação, por um trem ou por um trilho”, disse repórter Andressa Thomaz
A partir desta segunda-feira (1°) de novembro a TV Bom Dia passa a exibir em suas plataformas a série “Quando o passado se faz presente. A história do trem no Alto Uruguai”. A produção jornalística em vídeo foi comanda pela repórter, Andressa Thomaz, com imagens do repórter cinematográfico, Joi Zamboni.
“Ao pensar que em vários municípios ainda se encontram esses grandes dormentes do tempo, nasce um sentimento de esperança. Produzir um material que envolve a vida de várias pessoas que dependiam daquele trabalho, é prazeroso. Poder contar essas histórias que foram tecidas como uma teia, por diversas vidas, é enriquecedor. O município que hoje oferece condições de vida para uma população foi construído há anos por essas pessoas, que me permitiram entrar na vida delas e conhecer a sua história. É como acreditar que podemos mudar o mundo. Ter a responsabilidade e a oportunidade de contar essas histórias é mostrar para as pessoas não apenas a importância do jornalismo, mas da história que se fundamenta em cada canto de cada cidade. O objetivo em contar a história das Estações Ferroviárias é abrir os olhos de toda a população para a realidade histórica que está, em alguns lugares, sendo perdida. A vida começou por aí, por uma estação, por um trem ou por um trilho”, disse Andressa.
A série dividida em cinco vídeos com reportagens especiais, começou a ser produzida há seis meses e conta as histórias das principais estações férreas da região, nos municípios de Marcelino Ramos, Viadutos, Gaurama, Erechim e Estação. A iniciativa faz parte de um projeto da Faculdade de Arte e Comunicação (FAC) da Universidade de Passo Fundo (UPF), que encaminha jovens repórteres para atuar junto às redações de empresas de comunicação como o Bom Dia.
Produção
Segundo Andressa, a produção do trabalho foi algo marcante em sua vida profissional e pessoal. “Vivi uma experiência totalmente diferente do que eu pensava que iria ser, porque quando eu cheguei no Bom Dia eu estava entrando em um veículo de comunicação totalmente diferente do que eu já tive contato. A TV Bom Dia é um veículo factual, ou seja, que traz notícias do que está acontecendo naquele momento, era uma experiência que eu queria viver, por que no futuro quero seguir nesta área que sempre fui apaixonada”, explica.
A repórter e também acadêmica de jornalismo lembra que quando recebeu a proposta para contar a história da ferrovia no Alto Uruguai ficou encantada com o projeto. “Eu fiquei apaixonada de primeira. Mas eu não tinha ideia do trabalho que seria desenvolvido para chegar a este momento, por isso cada etapa foi incrível, me fez crescer como uma futura repórter e jornalista. Hoje, eu olho o que foi feito e fico emocionada ao sentir o amadurecimento que tive ao viver esse projeto”, ressalta.
Histórias
Ao longo dos últimos três meses, a repórter viajou por municípios do Alto Uruguai, ouvindo histórias e conversando com autoridades, ex-ferroviários e pessoas que trabalham para manter o patrimônio histórico das ferrovias da região. “Uma das coisas que mais me marcou foi ter a liberdade de entrar na vida dos personagens. Em cada conversa eu via o olhar deles, porque elas estavam abrindo e compartilhando uma parte importante de suas vidas comigo, para que eu ajudasse a preservar a história, era uma troca de confiança muito grande. Claro que chorei, não foi uma vez, aqueles momentos me comoveram durante todo o processo de produção, gravação e finalização”, comenta.
Para a jovem repórter, um dos grandes desafios foi precisar se adaptar rapidamente a situações encontradas, principalmente, ao longo das gravações externas. “Foi algo que eu não esperava muitas vezes, aconteceram momentos que eu tive que sair completamente do roteiro que tinha em mente, porque chegando nos locais descobríamos que não era só ir e gravar, descobríamos algo novo, valioso para história, e ali mesmo, era preciso apurar e colocar na reportagem. Era realmente um se vira nos trinta, mas que depois me fazia pensar que era o que eu certamente queria para a minha vida e que estava no caminho certo, escolhendo o jornalismo”, afirma.
Personagens
Sobre os personagens mostrados na série, Andressa conta que foram escolhidos autoridades, pesquisadores, ex-ferroviários e seus familiares. “Além de trazer o resgate histórico, buscamos humanizar as histórias e todas essas pessoas foram fundamentais. Grande parte eram trabalhadores que auxiliavam na manutenção da rodovia, chegavam a carregar os dormentes de madeira que ficam junto aos trilhos de mais de 80 quilos nas costas. Quando eu perguntava se eles voltariam no tempo, todos me olhavam chorando e respondendo que se fosse necessário fariam tudo novamente, pois tem um grande orgulho de terem participado da ferrovia. Isso porque foram nas estações com os trens que tudo começou na nossa região, as cidades só cresceram por causa das locomotivas, tudo acontecia na estação, inclusive a formação de novas famílias”, lembra a repórter.
Questionada sobre qual personagem ela mais gostou, Andressa, fala, “todos”, mas ressalta a filha de um trabalhador ferroviário em que o pai morreu trabalhando na ferrovia, após ser atropelado por um trem na cidade de Viadutos, e o ex-chefe da estação ferroviária de Marcelino Ramos. “Descobri que nem sempre as histórias eram boas e felizes, mas que elas deixavam muitos ensinamentos, principalmente sobre aquelas pessoas que trabalhavam ali com orgulho para levar o sustento para suas famílias, que muitas vezes eram afetadas diretamente como foi o caso de Viadutos. Já em Marcelino Ramos, eu encontrei uma lenda viva, que pode de perto ver a história que resgatamos para as futuras gerações na reportagem”, ressalta.
Locais de gravação
Dando como os jovens chamam “spoiler” (revelação antecipada), contando um pouco da primeira reportagem que será exibida na estreia da série da TV Bom Dia, no dia 1° novembro, Andressa conta que em Marcelino Ramos teve a oportunidade também de conhecer um trem ou melhor a Maria Fumaça, uma locomotiva americana de 1913.
“Todos os locais de gravações foram especiais, ver de perto cada estação foi fantástico, e também triste porque algumas estão abandonadas como é o caso de Erechim. Mas a experiência que será mostrada logo na primeira reportagem vivida em Marcelino Ramos foi indescritível. Lá eu consegui criar uma bagagem e ter realmente uma ideia do que iríamos contar nessa série. Desde já, quero convidar a todos para assistirem e embarcarem nesta viagem comigo, pois tenho certeza que será uma caixinha cheia de surpresas muito boas”, finaliza.
Onde assistir
A série de reportagens estará disponível nos canais do YouTube da TV Bom Dia e na fanpage do Jornal e TV Bom Dia no Facebook a partir do 1° novembro, sempre a partir das 19h30, tendo uma reportagem nova a cada dia.
01/11/2021 – Estação de Marcelino Ramos
02/11/2021 – Estação de Viadutos
03/11/2021 – Estação de Gaurama
04/11/2021 – Estação de Erechim
04/11/2021 – Estação Getúlio Vargas/Estação