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Nelson Mandela, 101 anos depois

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Mandela
Por Salus Loch
Foto Divulgação

Se estivesse vivo – e olha que faltou pouco – Nelson Rolihlahla Mandela, nascido em Mvezo, na África do Sul, completaria 101 anos nesta quinta-feira, 18 de julho (ele morreu com 95, em Johanesburgo).

Reconhecido por sua luta contra o Apartheid, regime de segregação racial que imperou na África do Sul da década de 40 até os anos 90, Mandela presidiu seu país entre 1994 e 1999, além de ter conquistado o prêmio Nobel da Paz em 1993.

E é justamente o legado de Mandela que o traz às páginas do Bom Dia, especialmente, em tempos de polarização de ideias, ressentimentos explícitos e pensamentos extremistas – o que a história mostra, é perigoso, na África do Sul, na Europa e, também, no Brasil.

 

Mais de uma centena de prêmios

Depois de ter recebido mais de uma centena de prêmios, entre eles o ‘Presidential Medal of Freedom’, dos EUA, e a ‘Ordem de Lenin’, da URSS, Mandela atuou como um célebre estadista, opinando em temas fundamentais da  atualidade. Na África do Sul é conhecido como "Madiba" -  título honorário adotado por anciãos da tribo de Mandela. Vários sul-africanos também se referem a ele como "mkhulu" (avô).

 
Vida tribal

Mandela foi um dos 13 filhos de Nkosi Mphakanyiswa Gadla Mandela com Nosekeni Fanny, a terceira esposa de seu pai. Ainda quando vivia em sua tribo, recebeu o nome de Rolihlahla Dalibhunga Mandela. Até os cinco anos, mantinha os costumes tribais, cuidando do gado e escutando histórias sobre mitos e fábulas ancestrais.
Quando começou a frequentar a escola, recebeu da professora o nome de Nelson, em homenagem ao almirante Horatio Nelson. Como a África do Sul era uma colônia inglesa, as crianças recebiam nomes ingleses nas escolas. Quando estava sendo preparado para assumir o comando de sua tribo (e também teria um casamento arranjando), Mandela negou o destino e foi estudar em uma escola de elite para negros. Depois, teve formação acadêmica em Direito – formação que lhe permitiu prestar serviços à humanidade e defender os direitos humanos. Quando jovem, defendia a resistência não violenta.

 
Lutas

Contudo, as respostas do governo às manifestações pela igualdade começaram a ser combatidas com violência e assassinato de protestantes. Mandela entendeu que era preciso partir para a resistência armada. "Foi só quando tudo o mais falhou, quando todos os canais de protesto pacífico foram barrados, que a decisão foi tomada para embarcar em formas violentas de luta política", disse o líder em seu julgamento.
No dia 5 de agosto de 1962, ele foi condenado por sair da África do Sul sem passaporte, uma das acusações contra ele. Enquanto Mandela estava preso, no ano seguinte, a polícia invadiu seu antigo esconderijo e apreendeu papéis e anotações comprometedoras. Em 1964, Mandela foi submetido a novo julgamento, com acusações mais graves por conta de sua luta política, e foi condenado à prisão perpétua. Acabou enviado à prisão da Ilha Robben (antigo local de leprosos), na Cidade do Cabo, onde ocupou a cela com número 466/64. Ficou isolado do mundo, sem acesso a notícias ou visitas frequentes.

 
A cada seis meses

Durante seu tempo na prisão, transformou-se em um símbolo internacional na luta contra o Apartheid. Na cadeia, contraiu tuberculose, doença que deixou sequelas das quais nunca se recuperou completamente. Ficou os primeiros 18 de seus 27 anos na prisão de Robben. Acabou confinado em uma pequena cela, sem cama ou encanamento, e era obrigado a fazer trabalhos forçados em uma pedreira. Como um prisioneiro político negro, recebeu comida escassa e poucos privilégios. Só tinha direito de ver a esposa e filhas a cada seis meses.
Em 1982, Mandela foi transferido para a prisão Pollsmoor, de segurança máxima, também localizada na Cidade do Cabo. Em 1988, obteve a prisão domiciliar. Com a eleição de F. W. Klerk como presidente e também por conta de toda uma pressão internacional pela libertação de Mandela, ele foi solto no dia 11 de fevereiro de 1990.

 
Presidente da África do Sul

Quatro anos depois, foi eleito presidente sul-africano. Instituiu uma ‘comissão da verdade e reconciliação’ para investigar violações aos direitos humanos e políticos entre 1960 e 1994. Ainda introduziu inúmeros programas sociais e econômicos com o objetivo de elevar a qualidade de vida da população negra. Além de formar um governo de Unidade Nacional multirracial, proclamando o país como "uma nação arco-íris em paz consigo mesma e com o mundo", buscou a união entre brancos e negros com o objetivo de evitar retaliações dos segundos sobre os primeiros.

 
Saída da política

Nelson Mandela deixou a vida política em 1999 e seguiu sua luta pela paz e justiça social no seu próprio país e em todo o mundo. Deu vida a várias organizações, entre elas a influente Fundação Nelson Mandela. Tornou-se defensor da conscientização sobre a Aids e dos programas de tratamento em um país onde a doença tornou-se uma epidemia. Seu filho, Makgatho (1950-2005) morreu vítima da Aids.
Após fazer tratamento por conta de um câncer da próstata em 2001, Mandela também estava sofrendo com outras doenças. Com sua saúde frágil, fazia poucas aparições públicas nos últimos anos. Durante a Copa do Mundo de Futebol da África do Sul em 2010, muitos aguardavam ansiosos pela sua presença na competição, contudo, um acidente de carro, que matou sua neta justamente após o show de abertura da Copa, deixou Mandela de luto. Ele compareceu somente pouco antes da partida final, por apenas três minutos, para um breve aceno ao público.

 
Morte

Mandela faleceu, em casa, no dia 5 de dezembro de 2013, vítima de problemas pulmonares, contra os quais vinha lutando nos últimos anos de sua vida.
Madiba era casado com Graça Machel, uma política e ativista dos direitos humanos moçambicana. Além dela, teve outras duas esposas: Evelyn Ntoko Mase, entre 1944 e 1957, com quem teve quatro filhos; e Winnie Madikizela-Mandela, entre 1958 e 1996, mãe de suas duas filhas.

 

Algumas frases de Madiba:

- ‘A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo’.
- ‘Bravo não é quem não sente medo, é quem o vence’.
- ‘A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até o fim de meus dias.

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