A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) deve enviar nos próximos dias, para o Ministério da Educação (MEC), a lista tríplice para os cargos de reitor e vice-reitor. A atual gestão encerra o mandato no dia 31 de agosto.
O diretor do campus Erechim, Anderson Ribeiro, ficou em 1º lugar tanto na consulta prévia à comunidade universitária como na composição da lista tríplice pelo Conselho Universitário (Consuni). Anderson faz chapa com a atual diretora do campus Chapecó, Lísia Ferreira, candidata à vice-reitora, que representaram o Coletivo UFFS Plural. A reportagem do Jornal Bom Dia conversou com o reitor eleito, aproveitando a oportunidade para explicar as motivações da chapa e como pretende orientar a gestão.
Jornal Bom Dia: Como surgiu o coletivo?
Anderson Ribeiro: A aproximação das pessoas que organizaram o coletivo UFFS Plural iniciou pelas direções de alguns campi, que no trabalho cotidiano da gestão, foram convergindo em propostas e em formas de fazer a administração e, principalmente, no que se considera prioritário para a Universidade. A partir disso, o coletivo foi se ampliando e agregando pessoas de todos os segmentos da comunidade acadêmica. O lançamento do coletivo ocorreu em um debate sobre a universidade, realizado no dia 15 de fevereiro deste ano.
Jornal Bom Dia: De que maneira a campanha foi organizada?
Anderson Ribeiro: A campanha foi organizada pelos integrantes deste coletivo, com planejamento de presença em todos os campi, diálogos com segmentos e com entidades e com a elaboração do material de divulgação.
Jornal Bom Dia: Avalie de qual modo sua experiência na direção do campus de Erechim poderá contribuir na gestão da reitoria?
Anderson Ribeiro: O aprendizado que tive na direção à frente da UFFS - Erechim, tanto com relação aos aspectos práticos da rotina administrativa, como os políticos e acadêmicos, servirá de instrumento e base para a atuação na reitoria. A direção de campus está sempre muito próxima do desenvolvimento das atividades fim da universidade: ensino, pesquisa e extensão, e da gestão cotidiana dessas atividades, pois é nos campi que a vida acadêmica propriamente dita, acontece. Isso nos dá um insight muito importante sobre as demandas e a realidade sobre a qual queremos incidir e aprimorar. Então buscaremos aproximar a realidade vivenciada nos campi, com as importantes atividades desempenhadas pela reitoria.
Jornal Bom Dia: Com relação ao resultado da votação, avalie também como sua experiência em Erechim contribuiu para a vitória:
Anderson Ribeiro: O período em que estive na direção foi um período de amadurecimento pessoal e de aprofundamento de conhecimento administrativo e acadêmico. Também foi um momento de visibilidade para o trabalho que realizamos na universidade e de debates públicos sobre diversas pautas no conselho universitário. A coerência entre o que praticamos, tanto eu quanto a professora Lísia, nestes anos de gestão e o que apresentamos na disputa eleitoral, foi fundamental para a vitória.
Jornal Bom Dia: Como pretende realizar a gestão?
Anderson Ribeiro: Pretendemos ampliar a participação das direções de campi nas tomadas de decisão, ampliar o espectro de discussão sobre parâmetros da gestão no Conselho Universitário e envolver os segmentos nas discussões fundamentais da vida acadêmica. Pretendemos, ao longo dos próximos quatro anos, implementar tudo que pautamos nas eleições. Prioritariamente daremos atenção as pautas apresentadas que se relacionam à permanência estudantil, ao desenvolvimento da pós-graduação e da pesquisa, à otimização da estrutura administrativa, dando maior suporte aos campi e criando uma política de desenvolvimento de pessoal, e à relação da universidade com a comunidade, envolvendo relações mais amplas com os diferentes setores da sociedade e a comunicação institucional.
Jornal Bom Dia: Explique o processo de nomeação.
Anderson Ribeiro: O processo de nomeações nas universidades é, por força de lei, complexo. Envolve além da consulta a comunidade universitária, a composição de uma lista de três indicações em ordem de prioridade, chamada de lista tríplice, que é encaminhada ao MEC. Nesta lista, após todo processo interno e dado o resultado da consulta, em que ficamos em 1º lugar no segundo turno e da votação ocorrida no Conselho Universitário, em que tivemos 26 dos 49 votos, entre três candidaturas, eu e a professora Lísia Ferreira, atual diretora do campus Chapecó, estamos na primeira posição. O ministro da Educação, por designação do presidente da República, faz então a nomeação da reitoria a partir dessa lista. Historicamente, respeitando os princípios democráticos que baseiam a construção da lista tríplice e considerando o princípio constitucional de autonomia universitária (Art. 207 da CF), é nomeado o primeiro da lista, que então vai a Brasília para o ato diretamente pelo Ministro.
Jornal Bom Dia: Na sua opinião, quais os principais desafios para as universidades nos próximos anos?
Anderson Ribeiro: As universidades brasileiras têm muitos desafios para os próximos anos, alguns relativos ao financiamento das atividades das instituições, outros relativos a produção do conhecimento e a formação, em especial a permanência dos estudantes e a conclusão dos cursos. Para além disso, penso que um dos desafios mais imediatos das universidades, em especial as públicas, é sua legitimação social. As universidades desenvolvem papéis fundamentais para o País, pois tem múltiplas funções, de formação profissional, de desenvolvimento científico e tecnológico (cerca de 95% da ciência brasileira ocorre nas universidades públicas), que são essenciais para a soberania nacional, além de promoverem ambientes de inovação e cultura. Porém, muito disso é invisível ao cotidiano, pois tem efeito de longo prazo, o que faz com que as instituições tenham também que pensar em formas de divulgar e visibilizar o que é produzido pelas universidades, que vai muito além da formação de nível superior.
Jornal Bom dia: Perspectivas para a gestão:
Anderson Ribeiro: A UFFS é uma universidade jovem e que nesses poucos anos de existência já mostra um grande potencial, considerando seu desempenho em avaliações nacionais e sua produção científica. Isso é resultado de uma comunidade acadêmica formada por servidoras e servidores altamente qualificados e um corpo discente disposto e participativo. Também pelo envolvimento da comunidade regional e sua participação ativa na Universidade, tornando nossos processos mais dinâmicos e socialmente referenciados. Nossa gestão pretende alavancar esses potenciais e buscar outras frentes de atuação, fazendo a instituição, que já é referência em inclusão, também referência acadêmica e de inovação social e tecnológica.