14°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Geral

“Mãe é para a vida toda e eu quero ser especial para meu filho”

Grávida de cinco meses, Kerolyn Lucinda Duarte, 14 anos, diz já ter se acostumado com o fato de ser mãe na adolescência

teste
Foto: Jéssica Scartazzini
Por Jéssica Scartazzini - jessica@jornalbomdia.com.br

Grávida de cinco meses, Kerolyn Lucinda Duarte, 14 anos, diz já ter se acostumado com o fato de ser mãe na adolescência

Na próxima quinta-feira (10), Kerolyn Lucinda Duarte tem consulta marcada com seu médico para realizar uma ultrassonografia. Esta consulta será especial, já que com o exame ela poderá saber o sexo do bebê que está esperando. Kerolyn está grávida de cinco meses e está ansiosa por este momento. 

Embora todo êxtase da gravidez esteja acontecendo, quando Kerolyn e seu marido David descobriram sobre a gestação, a notícia foi um baque: na época, ela tinha 13 anos. “Nós descobrimos juntos. Fomos na farmácia e compramos um teste e o resultado deu positivo. Fiquei nervosa na hora, mas agora já me acostumei com a ideia”, contou ao jornal Bom Dia na manhã da última sexta-feira, quando recebeu a reportagem em sua casa localizada no Bairro Castelo Branco.

De acordo com a ginecologista e obstetra Tatiana Pedot Gritti, a gravidez na adolescência não é algo recente. “O papel da mulher na sociedade moderna mudou e, talvez por isso, a gravidez precoce chame tanto a atenção. Espera-se que a adolescente estude, trabalhe e não que engravide e tenha filhos com tão pouca idade. Mas, a gravidez na adolescência não é a falta de informação, já que os adolescentes têm acesso a ela através de revistas, jornais, televisão, internet, cursos de educação sexual existente em muitos hospitais e escolas e, principalmente, da possibilidade de consultar um ginecologista. Assim, não é a desinformação que leva à gravidez na adolescência. Segundo pesquisas realizadas, as maiores justificativas dadas pelas adolescentes grávidas são descuido, esquecimento de utilizar o método contraceptivo, acreditar que pela sua pouca idade não poderia engravidar, suspensão de utilização do contraceptivo pelos seus efeitos colaterais e adiamento do início da anticoncepção”, explicou a profissional. 

O caso de Kerolyn vem ao encontro do que a ginecologista explicou. A futura mamãe afirmou ser bem informada sobre contracepção e contou que utilizava o anticoncepcional. A entrevistada acredita que a gravidez ocorreu durante o período da pausa do remédio. “Eu tomava o remédio da forma correta”, disse. 

A importância do pré-natal

Kerolyn está fazendo todos os exames necessários e diz estar tudo bem com bebê. De acordo com a ginecologista, o pré-natal é muito importante para a saúde materno-fetal. O exame tem por objetivo garantir o bom andamento das gestações de baixo risco, preparar a gestante para o momento do nascimento e também identificar adequada e precocemente quais pacientes tem maior chance de apresentar uma evolução desfavorável, possibilitando cuidados diferenciados de acordo com cada caso. 

O pré-natal deve ser feito mediante consultas médicas regulares durante a gravidez, onde é realizada a avaliação e acompanhamento da gestante e do bebê.  “Na primeira consulta é fornecido uma carteira de gestante, que lhe acompanhará até o momento do parto, onde são inseridas as informações da gestação como anamnese, exame físico, exames complementares, vacinas, orientações e outras informações importantes”, explicou.

O peso do preconceito

Ainda existe muito preconceito com as jovens gestantes. A ginecologista Tatiana destaca que, culturalmente, a mulher ainda é vista como a única responsável por evitar uma gravidez e é importante que assuntos como este sejam desconstruídos. Kerolyn diz ter recebido o apoio de sua família e da família do seu marido. “Eles estão me ajudando e me ensinando. Eu não sabia nada sobre gravidez e agora eles estão me explicando tudo, inclusive eu estou fazendo um curso para gestantes”, contou. 

Kerolyn diz saber que sua vida mudará bastante após o nascimento de seu futuro filho. “Estudo e trabalho com certeza vai ser diferente, pois terei que dar mais atenção para o bebê e deixar isto de lado. Eu podia estar estudando, mas não vai ter como. Isso me preocupa um pouco e eu tinha planejado de uma forma diferente”. Entretanto, ela diz ter consciência que o bebê dependerá dela por toda a vida e sabe das responsabilidades. “É uma criança que vai depender de mim. Mãe é para a vida toda e eu quero ser especial para meu filho”. Para futuras mamães, Kerolyn deixa seu recado. “Digo às meninas que cuidem com os constantes casos de estupros e que saibam cuidar de sua saúde”. 

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas