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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Vigor e Rigor

Por Marcos Vinicius Simon Leite

O ser humano costuma imitar bem os animais. E quando é preciso aparecer, poucas espécies conseguem fazer como o pavão. Neste viés, aparecer é, sobretudo, uma forma de sobreviver, de perpetuar a espécie. Aparecer requer rigor, como um “traje” adequado para aquilo que se pretende apresentar, ou representar. Já o vigor vem da força, da perseverança. O vigor é cego, não dá olhos para distrações, apenas para o trabalho.

Síndrome de Down

Há alguns dias morreu o Zezinho. Um simpático menino, já com seus mais de cinquenta anos. Filho de um casal de amigos chilenos. Família das antigas, vigorosa e terna. O Zé tinha Síndrome de Down e foi acompanhado pelos pais e pelas irmãs durante toda a sua jornada. Certo que não foi fácil a sua criação, tão certo são as alegrias que uma pessoa especial deixa por onde passa. Por mais triste que sejam esses finais, há sempre um rastro de coisas boas no caminho. E o Zé partiu. Cumpriu sua jornada e, mesmo que não tenha cometido algum pecado mais notável, saiu dessa com créditos e espalhou amor.

A longevidade

É sabido que a esperança de vida, como dizem aqui em Portugal, é menor nos portadores da Síndrome. Muitos deles ficam dependentes por toda a vida. Cada caso é único. É como se Deus indicasse em que família deveriam nascer. Os que tem a sorte do Zezinho, costumam alinhar a longevidade com a de seus pais. Essa é uma inferência da natureza, por certo. Se em condições normais, nas médias e estatísticas que costumamos fazer, um ser especial vive em torno de 50 anos, é para que os pais o possam dele cuidar até o final de suas vidas. Se alguém diz que é castigo – e certamente há quem pense assim – este cessa ao final da vida dos pais. Mas eu prefiro outra abordagem. Um entendimento que só quem convive com pessoas especiais – como são os Down – consegue aprender e ver, que o “rigor” é outro e que o vigor se torna necessário.

Outros rigores

As profissões, ao menos as antigas, são repletas de “rigor”. Tem lá suas liturgias. Vejam os magistrados. Só o cargo já indica a aparência: ma-gis-tra-do. Desembargador. Ministro. Do latim, aquele que entende, o chefe, o grande mestre. Aquele que deveria dar o exemplo. Mas não basta passar no concurso ou ser indicado pelo grupo, tem que vestir a toga e dançar conforme a música. Infelizmente, com o descrédito que se tem da Justiça, pode-se pensar que a toga serve para esconder o que está por trás dela, como faziam os membros da KKK. Mas eu vou parar por aqui. Não vou colocar no mesmo texto duas grandezas inversamente proporcionais. Prefiro a pureza dos Down do que a impureza dos mestres. Aos pais de crianças especiais, rendo todo o meu respeito e admiração. No final, o que ficam são as lembranças, a saudade. O resto, é só imagem e um bocado de frustração.

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