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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Retroceder, pero no mucho!

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Hoje trago um assunto que talvez nem seja novidade no Brasil: a educação por meio das telas. Foi muito útil durante os anos de pandemia, que fez surgir plataformas digitais de ensino. Novidades muito bem recebidas pelas novas gerações, acostumadas com a interatividade. Eis que o sistema tradicional, baseado em livros impressos e cadernos de atividade, parecia ter o mesmo destino dos jornais impressos. Só que não.

Em Portugal

Na terra de Camões, a adoção das plataformas digitais seguiu um certo critério. Não foi amplamente adotada. Foi experimental e apenas algumas turmas e escolas utilizaram tal método. O Ministério da Educação foi conservador, mesmo quando a tecnologia parecia ser insuperável. Eis que, para surpresa, o Ministro afirmou que vai rever o método, considerando alguns estudos feitos em países como a Suécia e a Noruega. Resultados apontaram para uma aprendizagem aquém da esperada. Questões comportamentais também foram consideradas.

O que dizem os especialistas

Os estudos realizados nos países nórdicos apontaram que não houve uma melhora na relação tecnologia-aprendizagem. Este fato chamou a atenção da comunidade científica. Ainda que as plataformas sejam infinitamente mais produtivas do que os livros, por conta dos hipertextos e da agilidade, os estudos apontaram falhas, não na plataforma, mas nos humanos. Uma delas, é porque as novas gerações associam as telas à diversão. Com isso, aprender deixou de ser uma “obrigação” e passou a ser uma “distração”. Os educadores apontam que há riscos de se desenvolver gerações descomprometidas, alienadas. Alguns testes comparativos também demonstraram que as ferramentas tecnológicas não melhoraram as habilidades conforme o esperado.

A que ponto chegamos?

Esse assunto nos faz pensar que todo o avanço tecnológico tem sim um limite. Se os países desenvolvidos estão a repensar o amplo uso de plataformas digitais no ensino, significa que nem tudo o que é tecnológico é saudável. Porém, este entendimento é restrito à educação de crianças e jovens. Há outros segmentos, como a medicina e o trabalho, em que as tecnologias são irreversíveis e sim, representam um grande avanço para a vida em sociedade. Retrocesso seria acabar com o Uber, por exemplo, por conta de princípios antigos da relação de trabalho ou de ideologias em que o Estado deve controlar tudo. O judiciário, outra vez, legislando em parceria com a conveniência ideológica.

O 20 de setembro

O 20 de setembro em Portugal não tem o mesmo valor que no Rio Grande. Ficamos restritos a um churrasco de domingo que deixou o apartamento cheirando a fumaça. O chimarrão, esse sim é diário. Companheiro. Inclusive, para minha surpresa, encontrei erva mate Barão à venda no supermercado próximo da minha casa. Um luxo! Isto sim tem muito valor. Algo em torno de 50 reais o quilo. Mas vale, e como! O que não vale, é pender sempre para o mesmo lado e perder o equilíbrio. Não vale esquecer que nós, gaúchos, perdemos uma guerra e comemoramos como se tivéssemos vencido. Não vale esquecer que a tal Revolução Farroupilha se deu por conta de altos impostos, necessários para financiar um governo que não pensava no povo, um governo irresponsável e perdulário. Como este, que ao invés de fazer uso da ciência e da tecnologias, parece estar preocupado mesmo é com as canetas. Seria um sinal?

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