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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Animais em cativeiro

Por Marcos Vinicius Simon Leite

A humanidade é realmente antagônica e engraçada. Busca o conhecimento sobre todas as coisas, procura cada vez mais tecnologias e, talvez por insistência, melhore. Mas o que vou falar hoje tem a ver com os custos de todo esse avanço, de todo esse progresso. Vou falar dos animais em cativeiro.

Até bem pouco tempo atrás

Se você não sabia, é fácil de consultar. Há muitos registros na internet. Há menos de um século, o tal homem evoluído da época costumava enjaular seres humanos e expô-los em uma espécie de zoológico humano. Cartazes anunciavam a chegada das “novas espécies” dizendo: “homens selvagens permanentes no mundo”, “não é mais alto do que um orangotango, suas cabeças são similares e ambos sorriem da mesma forma”. No princípio da tal globalização eurocêntrica era assim. Os mais estudados talvez não fizessem ideia de que as etnias tinham o mesmo DNA. Naquele tempo, não era considerado um absurdo e as pessoas pagavam para ver, como em um zoológico humano. Um BBB mais do que excêntrico.

Os zoológicos de hoje

Hoje, os zoológicos têm funcionado como um “mural de vergonha” da espécie humana. Há alguns que não mais dispõem de leões, tigres e outros animais do topo da cadeia alimentar. Assim, esses estabelecimentos tornaram-se educativos pois demonstram claramente como a ação humana exterminou seus ecossistemas. Tudo em nome da tecnologia, das tendências e do progresso econômico. Com seus habitats devastados, os exemplares que restaram restringem-se aos zoológicos, cujos biólogos tentam, a muito custo, a reprodução dessas espécies. É uma corrida contra o fim, contra a extinção. Os zoológicos, que até então eram atrativos, hoje são refúgios seguros.

O que há em comum

Que somos animais, todos sabem. Inclusive, alguns de nós ainda são bem primitivos e animalizados. Mas o que há em comum entre os homens e os zoológicos de hoje? A resposta não é muito difícil de encontrar. Os homens de hoje vivem enjaulados. Cada um em seu apartamento, cantinho, seja lá o que for. Já são raros os que procriam. Suas famílias tendem ao desaparecimento, até porque essa “narrativa” de família precisa ser combatida, como dizem alguns governantes. Tudo são tendências e enquanto o ser humano tiver esse “chip” do individualismo instalado em suas atitudes sociais, embalado por algumas comunidades que se acham superiores às outras, é provável que em algumas décadas, ou séculos, entraremos em ciclo de extinção.

No futuro

Hoje há casais que não têm filhos. Os poucos que se unem com propósitos familiares, não chegam a ter dois filhos. Além disso, vê-se aumentar o número de pessoas que optam por orientação sexual diversa ao que se entendia por natural. No curto prazo, na individualidade, na garantia da liberdade, não há problemas. Até porque se preocupar com o futuro das próximas gerações, talvez não seja tão importante se se vive até pouco mais dos 70 anos. Mas de uma coisa não precisamos nos preocupar. Não viveremos enjaulados. A evolução humana já inventou outras formas de nos mantermos encarcerados. Há distração em abundância para não nos fazer ver o quanto estamos regredindo. Somos animais em cativeiro, alimentados por imagens que rolam de baixo para cima ou de um lado para o outro.

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