Ciência e Religião
Volta e meia nos deparamos com determinados conflitos entre a fé e a ciência. Há jovens, desses de 30 anos, cuja vida espiritual é inexistente. Pessoas que acreditam apenas naquilo em que a ciência já demonstrou. Para o resto, negam. Uma juventude, que em poucos 20 anos, terá vivido mais da metade da vida. Esquecem, que foi justamente a religião, a maior incentivadora da ciência.
Salamanca
Estive em Salamanca (Espanha) no final de semana que passou. Impressionou-me o estado de conservação da cidade que nasceu nos tempos de Cristo. A Universidade, a quarta mais antiga do planeta, tem mais de 800 anos. Salamanca, a cidade dourada, como é conhecida, está exuberante. Muito bem conservada e limpa, abriga milhares de estudantes do mundo todo. Suas catedrais em estilo gótico são indescritíveis. A arquitetura é de causar inveja, pois os prédios que lá existem estão firmes e rijos há séculos. Mas Salamanca é diferente das demais cidades do seu tempo. Ela não respira religião. Ela respira juventude, conhecimento.
A fé que alavanca a razão
Muitos ainda pensam que fé e razão não combinam. Enganam-se. Salamanca é o grande exemplo. Por mais pecados que a história da religião católica possa ter cometido, como a inquisição, as recentes violências sexuais entre tantas outras – dos homens – que dela serviram-se, foi justamente o catolicismo que alavancou a busca pela razão. Em todo o mundo, são milhares as obras educacionais promovidas pelas Igrejas. Portanto, essa ideia de religião e ciência serem antagônicas, não passa de mero engano.
O que se espera
Vivendo em ciclos de vida assimétricos, a ciência parece ter se “descolado” da religião. Em Salamanca isso é fácil de ser observado ao andarmos pelas suas belas ruas. Em vez de lojas a vender souvenirs religiosos, vemos um comércio voltado para sua história. Por mais que lá existam belas igrejas e enormes catedrais, Salamanca tornou-se conhecida pela Universidade, num exemplo em que a criatura superou o criador. Mesmo assim, não há como negar que se não fosse a religião, especialmente a católica e a protestante, a humanidade possivelmente estaria vivendo um atraso em seu ciclo evolutivo. Teríamos uma ciência atrasada e os avanços certamente não seriam os mesmos que hoje temos.
O melhor dos mundos
Negar o passado ou simplesmente o ignorar, é como criar um vazio na essência das coisas. Salamanca é um belo exemplo de como a religião foi importante no avanço do conhecimento, numa razão que foi muito além da fé. E nesta linha, respeitando todas as crenças, diria que renegar a religião na atualidade, no que eu gostaria de dizer “espiritualidade”, além de ser um certo exercício de ingratidão por parte dos seguidores da boa ciência, representa também o atraso nas boas práticas da humanidade. Esta, parece estar vivendo um momento gótico, em que a individualidade tenta subir cada vez mais alto, afastando-se da base, que é justamente a razão de vivermos em comunhão, em sociedade. Talvez isso explique porque uns são a favor de armas e outros são a favor das drogas.