Maldito orçamento
Viver com pouco dinheiro não é exclusividade de poucos. A grande parte da população brasileira, que é honesta, precisa estabelecer regras básicas para que o salário possa durar o mês todo. Fazer poupança, isso sim é uma exclusividade. Quem não se planeja financeiramente, ou recorre aos bancos, agiotas e crediários, ou cai nas garras do SPC. Não há um brasileiro que não conheça a importância de um orçamento.
Orçamento público
Por mais que muitos pensem o contrário, quando o assunto é despesa pública é preciso ter o mesmo cuidado que se tem em casa. Quem está no poder deve respeitar as limitações impostas pelo orçamento público. Não pode gastar ao bel prazer. Aquela história de imprimir dinheiro é uma lenda. O governante que não souber gastar, acaba por amargar com a necessidade de dizer não. Segurar as pontas, suspender gastos, até que os limites sejam restabelecidos. Engana-se o governante que diz que para tudo há dinheiro. Se assim age, ou é burro ou é mau caráter.
Em setembro passado
Nos últimos meses do governo “fascista” que democraticamente se despediu de Brasília, houve uma oportunidade em que foi necessário cortar despesas com a educação. Não faltaram cientistas e pesquisadores, desses que vivem profissionalmente das bolsas de estudo, a esbravejar contra o governo. Expunham, em período pré-eleitoral, argumentos dos mais variados. Não faltaram críticas em dizer que era um governo que não apoiava a ciência e a educação. Mas não os culpo. O problema é que estes pertencem aquele pequeno grupo de pessoas que não vive apertado, não sabem o que é dever o aluguel ou ter de dizer não aos filhos. Pior, desconhecem a legislação e ainda assim são “formadores de opinião”, pois “tem estudo”.
Entre maio e julho
Em maio deste ano a Ministra Simone Tebet, do “planejamento”, quando já precisou fazer os primeiros cortes para obedecer à lei orçamentária, afirmou: “a saúde e a educação não sofrerão cortes. Fiquem tranquilos!”. Porém, passadas algumas semanas, não mais do que oito, o governo anti-fascista se viu obrigado a cortar mais despesas. De onde? Da saúde e da educação! Além de cumpridor da lei, o novo governo demonstrou três coisas: que planeja mal, que gasta mal e que não cumpre a palavra. Não restam dúvidas sobre a competência da ministra. Provou que o “planejamento” falhou e no curto prazo.
E agora
Diante disso, fico me perguntando: onde estão aqueles que faziam postagens e declarações contra o governo fascista? Onde estão aqueles jornalistas, críticos e cientistas que rotulavam o antigo governo de não apoiar a ciência e a educação? Estariam eles apenas preocupados com suas “bolsas de estudo” ou com a nova ordem nacional? Onde foi parar a imparcialidade, a verdade e o senso crítico, tão fundamentais em uma democracia? Tudo seletivo. Negacionistas? Por certo. E isso tudo me faz lembrar das oportunas frases de Ulysses Guimarães. Em política, até a raiva é combinada.
Formação
Mas o leitor deve estar se perguntando: qual seria a solução? E eu respondo: a solução seria os jornais, os jornalistas e as universidades ensinarem as pessoas que os governos quando cortam despesas não o fazem por maldade ou falta de caráter. O fazem porque tem de cumprir a lei. Doe-la a quem doe-la. Bom mesmo é quando se tem um governo que não faz promessas falaciosas, um governo que mantém o que diz e que sabe como gastar os recursos públicos. O pai, quando nega um livro ou um sorvete ao filho não o faz por desamor. O faz por conta do orçamento. Com o governo não é diferente. Quem nunca ouviu a frase “estou sem dinheiro” certamente não sabe do que estou falando.