Os perigos do ativismo
Na semana que passou li um artigo de opinião publicado no Jornal Observador, um dos melhores de Portugal. Um corajoso texto. Tive de lê-lo inclusive sob a ótica da Teoria da Argumentação. O que encontrei foi um verdadeiro tesouro sobre o tema LGBT. Quase impecável. Não vou, por óbvio, reproduzir as ideias da autora, mas vou resumir. Quem quiser saber mais, pode acessar o original pesquisando por: Observador, LGBT-uma-confusão.
O confronto e o uso
De início o texto parece indicar que a sigla seja uma espécie de propriedade da esquerda. Algo como se o resto do mundo, que não concorda com eles, seja insano ao ponto de não reconhecer os avanços de nossa sociedade. Como se a direita fosse composta por pessoas insensíveis e que apoiam a violência e a discriminação. Até quando? E é bem verdade. De que se sustentam os ativistas? A resposta é simples: do problema dos outros. Algo como os políticos e a pobreza. Se acabar, do que viverão os populistas que prometem carne, cerveja e isenção tributária aos jet-skis? Em que novas causas investirão suas retóricas? No confronto. Sempre ele. O amálgama que une os populistas aos eleitores.
As marchas
A OMS reconheceu que a homossexualidade não é doença já se vão mais de 30 anos. As marchas, sempre animadas, marcaram a história e mostraram que é possível conviver em paz e sem confronto. A própria opinião pública mudou diametralmente nessas três últimas décadas. Vamos lembrar que no final dos anos 80 os jornais britânicos, como o The Sun, ainda publicavam títulos preconceituosos sobre a AIDS. Chamavam a doença de “praga homossexual”. Mas isso mudou. E não volta mais. Isso tudo serve para questionar: se acabar o ativismo político em cima do público LGBT será que a sociedade vai retroceder a esse ponto? Duvido!
A inclusão perigosa
A sigla LGBT cresceu. Hoje abarca também quem tem problemas de saúde relacionados com o gênero de nascimento. É o caso dos transgêneros. De certo que políticas públicas são necessárias. Mas estereotipar os enfrentamentos pessoais das pessoas talvez não seja o meio mais adequado. Para a esquerda tudo é luta, ao mesmo tempo em que se apresentam como contrários ao ódio e a favor do amor. Luta e enfrentamento não combinam com amor. Será que isso mudou também? E antes que me critiquem, sem sopesar os argumentos, preciso esclarecer que sim: quem tem problemas com o gênero de nascimento tem sim um problema de saúde. E se há um problema, precisa ser tratado, como a AIDS, a sífilis, o câncer e todas as doenças.
Onde discordo
A autora aponta que a transexualidade deveria ser bem explicada aos pacientes. Ela cita a dificuldade em apresentar a uma criança que ela terá, por toda a vida, um corpo geneticamente preparado para reagir às questões hormonais. É preciso dizer que em 2022, apenas no Hospital da USP, mais de 100 crianças com idade entre 4 e 12 anos fizeram ou estão a fazer a transição de gênero. Os dados são do G1, em matéria publicada em janeiro deste ano. Ora, se se trata de um procedimento médico, a responsabilidade de identificar se é ético ou não dar sequencia ao processo de transição cabe aos médicos.
Pedofilia
Não preciso escrever aqui que sou contra o preconceito e a pedofilia. No entanto, trata-se de uma prática sexual, infelizmente comum, criminosa e hedionda, mas não deixa de ser uma prática sexual como tantas outras, ainda que abominável. É aí que mora o perigo. Ativistas, políticos de má índole, que a todo momento acrescentam novas letras à sigla LGBT, com o discurso adesivo de defesa de minorias, muitas vezes defendem a irrestrita liberdade sexual. E a liberdade sexual dos pedófilos? Quando é que irão defender? A sociedade precisa de liberdade, mas também precisa de limites