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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Os perigos do ativismo

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Na semana que passou li um artigo de opinião publicado no Jornal Observador, um dos melhores de Portugal. Um corajoso texto. Tive de lê-lo inclusive sob a ótica da Teoria da Argumentação. O que encontrei foi um verdadeiro tesouro sobre o tema LGBT. Quase impecável. Não vou, por óbvio, reproduzir as ideias da autora, mas vou resumir. Quem quiser saber mais, pode acessar o original pesquisando por: Observador, LGBT-uma-confusão.

O confronto e o uso

De início o texto parece indicar que a sigla seja uma espécie de propriedade da esquerda. Algo como se o resto do mundo, que não concorda com eles, seja insano ao ponto de não reconhecer os avanços de nossa sociedade. Como se a direita fosse composta por pessoas insensíveis e que apoiam a violência e a discriminação. Até quando? E é bem verdade. De que se sustentam os ativistas? A resposta é simples: do problema dos outros. Algo como os políticos e a pobreza. Se acabar, do que viverão os populistas que prometem carne, cerveja e isenção tributária aos jet-skis? Em que novas causas investirão suas retóricas? No confronto. Sempre ele. O amálgama que une os populistas aos eleitores.

As marchas

A OMS reconheceu que a homossexualidade não é doença já se vão mais de 30 anos. As marchas, sempre animadas, marcaram a história e mostraram que é possível conviver em paz e sem confronto. A própria opinião pública mudou diametralmente nessas três últimas décadas. Vamos lembrar que no final dos anos 80 os jornais britânicos, como o The Sun, ainda publicavam títulos preconceituosos sobre a AIDS. Chamavam a doença de “praga homossexual”. Mas isso mudou. E não volta mais. Isso tudo serve para questionar: se acabar o ativismo político em cima do público LGBT será que a sociedade vai retroceder a esse ponto? Duvido!

A inclusão perigosa

A sigla LGBT cresceu. Hoje abarca também quem tem problemas de saúde relacionados com o gênero de nascimento. É o caso dos transgêneros. De certo que políticas públicas são necessárias. Mas estereotipar os enfrentamentos pessoais das pessoas talvez não seja o meio mais adequado. Para a esquerda tudo é luta, ao mesmo tempo em que se apresentam como contrários ao ódio e a favor do amor. Luta e enfrentamento não combinam com amor. Será que isso mudou também? E antes que me critiquem, sem sopesar os argumentos, preciso esclarecer que sim: quem tem problemas com o gênero de nascimento tem sim um problema de saúde. E se há um problema, precisa ser tratado, como a AIDS, a sífilis, o câncer e todas as doenças.

Onde discordo

A autora aponta que a transexualidade deveria ser bem explicada aos pacientes. Ela cita a dificuldade em apresentar a uma criança que ela terá, por toda a vida, um corpo geneticamente preparado para reagir às questões hormonais. É preciso dizer que em 2022, apenas no Hospital da USP, mais de 100 crianças com idade entre 4 e 12 anos fizeram ou estão a fazer a transição de gênero. Os dados são do G1, em matéria publicada em janeiro deste ano. Ora, se se trata de um procedimento médico, a responsabilidade de identificar se é ético ou não dar sequencia ao processo de transição cabe aos médicos.

Pedofilia

Não preciso escrever aqui que sou contra o preconceito e a pedofilia. No entanto, trata-se de uma prática sexual, infelizmente comum, criminosa e hedionda, mas não deixa de ser uma prática sexual como tantas outras, ainda que abominável. É aí que mora o perigo. Ativistas, políticos de má índole, que a todo momento acrescentam novas letras à sigla LGBT, com o discurso adesivo de defesa de minorias, muitas vezes defendem a irrestrita liberdade sexual. E a liberdade sexual dos pedófilos? Quando é que irão defender? A sociedade precisa de liberdade, mas também precisa de limites

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