Biscoitinho do capeta
A minha coluna de ontem começou falando em café, mas terminou num indigesto biscoitinho. Então, se você não leu, dá uma olhada, porque hoje pretendo continuar a e te explicar como esses biscoitinhos podem ser um malefício, se não para sua saúde individual, certamente para a sua saúde coletiva.
Desconhecimento
O mundo anda meio maluco. Disso ninguém duvida. Pior, é qua a tendência de que o ser humano vai se tornar um asno é grande. Isso, se você souber o que é um asno. Se não souber, pesquise aí, no seu celular. Certamente vai lhe aparecer muitas opções para te explicar algo tão simples. Em alguma delas serão oferecidos os tais “cookies”. Isso tem sido tão comum que as pessoas já saem clicando, aceitando tudo. Pesquisas têm mostrado que este é um comportamento comum nas pessoas.
Por que asno?
Antes, quando queríamos nos informar pela internet, era comum procurar algo no Google. Eram as chamadas “buscas ativas”. Hoje, depois de ter dado tanto acesso aos cookies, a gente não precisa procurar mais nada. As notificações se encarregam de “adivinhar” o que queremos. Há quem diga: Ontem, falei a um amigo que precisava comprar uma furadeira. Incrível! Hoje acordei e recebi várias ofertas no meu celular. Claro que sim. Em algum momento você permitiu – sem saber – que algum site tivesse acesso ao microfone do seu celular. Ele ouviu tuas conversas e ainda te impressionou com as melhores ofertas de furadeira.
A busca passiva e as notificações
Já somos asnos na internet e nem sabemos. Antes que peguemos o celular para passar o tempo, ele já nos oferece diversas “notificações”. Surgem aquelas notícias que nos provocam. Bolsonaro vai…Lula está próximo de…Então, curiosos e fofoqueiros que somos, clicamos. Eis que surge uma mensagem que nos impede de ler. Ficamos ainda mais curiosos. Muitos já nem leem a mensagem. Procuram um “botãozinho” para se livrar dela e acessar a “notícia”. Pronto, além de aceitar algo que pode ser duvidoso, você deu permissão para ser profundamente monitorado, como os espiões da CIA, SNI e KGB faziam antigamente. Porém, agora é muito mais fácil.
A ciência
Pesquisas científicas apontam para dois caminhos perigosos. O primeiro, é que as pessoas não se importam com os cookies. Os que sabem do que se trata, mesmo assim consentem. Os que não sabem, pouco sabem. O segundo, é que um estudo apontou que a velocidade de transmissão de uma notícia verdadeira é de apenas 1% quando comparada a uma notícia falsa ou simples boato. Esses números mostram como as pessoas perderam o senso crítico. Os estudos comprovam. Algo falso ou mentiroso é espalhado 100 vezes mais rápido e as redes sociais funcionam como veias e artérias para que, como bactérias, as fake news sejam espalhadas em velocidade assustadora.
E agora?
Bom, se você não acredita no que digo, é seu direito. Vá lá. Leia a política de cookies de qualquer site que faça uso disso. Um grande jornal, por exemplo. Em troca de lhe dar notícias “de graça”, você dá acesso aos seus dados de navegação, que eles utilizam para precificar as propagandas na internet. Com isso, o seu comportamento enquanto ser humano passa a ser monitorado em um nível que você jamais pensou. Por mais que eu tenha sido inconveniente em lhe dizer isso, saiba que os desdobramentos são muito piores. Isso explica, por exemplo, porque tem alguns querendo controlar a internet. Simplesmente para poder ter o controle total da sociedade. Em troca, um biscoitinho do capeta.