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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

Vai um biscoitinho aí?

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Como é bom quando a gente ganha alguma coisa, inesperadamente, por mais simples que seja. Chocolates, por exemplo. Difícil haver alguém que não aprecie. E nos cafés? Já nem lembro mais quando começou o “mimo”. Deve ter vindo com a chegada dessas máquinas de café. Antes, a gente pedia um cafezinho que era servido num copinho de vidro, ou naquelas xícaras brancas e pesadas. Café passado. Hoje, no presente, ele atende pelo nome de “expresso”, mas poderia se chamar “com na pressa”. E junto dele vem sempre aquele biscoitinho, despretensioso, e que cai muito bem para adoçar o dia.

e-biscoito

A virada do milênio trouxe muitas novidades à carona. O uso da expressão “e-substantivo” foi uma delas. Muito brasileiro não tem nem onde morar, mas tem e-mail, ou correio eletrônico. É preciso ter um para poder ter um celular moderno. As lojas físicas, vão dando espaço para o e-commerce e por aí vai. Mas o que você não sabe, é que estás a comer mais biscoitos do que o seu médico acharia saudável. Não são biscoitos de polvilho, de maisena ou aqueles deliciosos amanteigados. Não, você está ingerindo os tais “e-biscoitos”, ou biscoitos eletrônicos, que não têm esse nome, é claro. Em verdade eles se chamam “cookies”.

Os cookies

Tudo começou em 1994, ainda antes de a internet chegar aos lares. Foi quando um antigo browser (navegador da internet) de nome Netscape, criou uma ferramenta para monitorar o comportamento dos “internautas”. Baseado num algoritmo chamado “Magic Cookie”, o americano Luis Montulli criou um mecanismo, que uma vez instalado em sua máquina – como um vírus de computador – passava a te espionar, coletando dados de sua navegação. Sabiam, desde a quantidade de tempo que você passava na internet, até o horário, as páginas visitadas, o tempo em cada tela, entre outra coisas. Senhas? Até poderiam, mas naquele tempo as pessoas eram mais desconfiadas e não haviam lá tantas senhas.

A Farra dos Cookies

Há poucos anos, as autoridades descobriram que a captação de dados pessoais talvez tivesse passado dos limites. Com mudanças que aconteceram na Europa, muitos países, como o Brasil, passaram a legislar a matéria, conhecida como privacidade na internet. Foi então que surgiu a Lei Geral de Proteção de Dados. Com ela – e para nossa salvação – surgiu algo novo, que acabou por destapar a farra de espionagem do nosso perfil de usuário da internet: a política de cookies.

O que são Cookies?

Mas afinal, antes de começar com “política”, o que são os tais de Cookies? Certamente você já se deparou com algum deles. É quando recebes uma notificação no celular, clicas para ver o que é e aparece esta mensagem: “Este site utiliza cookies”. Você, curioso em saber a notícia ou fofoca, clica, aceitando o tal biscoitinho. Pronto! Já está sendo vigiado! Isso mesmo, quando você clica aceitando os cookies, você permite que o site passe a te monitorizar. Mais ainda, permite que ele compartilhe seus dados com o Google e outras empresas dedicadas a isso.

Mas como isso funciona?

Os cookies são pequenos arquivos, que ao serem aceitos, são instalados em seu computador ou celular, autorizando a empresa a coletar seus dados de navegação. Em alguns casos, como a recente pesquisa que fiz para um trabalho científico, você permite que o site tenha acesso às suas fotografias, ao gravador de voz do celular e acredite, até mesmo à sua câmera. Se não acreditas no que digo, então da próxima vez em que receberes um “aviso de cookies”, vá lá, não aceite. Leia as políticas de cookies e verás com os próprios olhos. Bom, agora que você descobriu que esse biscoitinho pode lhe fazer mal, ou não, fico por aqui. Na coluna de amanhã te conto mais, sem lhe pedir nada em troca. Aqui você lê sem cookies.

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