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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

Fotografias

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Se tem algo que realmente conta a nossa história, é a fotografia. Registros que congelam o tempo. E foi a chegada de um livro, direto do Brasil, “A vida que ninguém vê”, da jornalista Eliane Brum, que me inspirou a escrever esta coluna.

Sobre o livro

O livro conta histórias de pessoas comuns. Na definição da autora, aquelas que os jornais não publicam, mas que possuem enorme significado. Histórias como a do carregador de malas do aeroporto, que nunca andou de avião (leia a coluna de amanhã), ou do mendigo de Anta Gorda, que nunca foi visto a pedir esmolas. Também, a perturbante história de um álbum de fotografias encontrado no lixo, que inicia com uma moça de família e termina com uma corista. E você, tem um álbum da sua vida? Além de você, alguém se importa com a sua história? Saiba que sim: o jornalismo literário, essa encantadora técnica narrativa, voltada para divulgar o bem, num contraste ao jornalismo tradicional, que se vê obrigado a mostrar a vida como ela é.

Novos tempos

Com a modernidade, surgem novas ideias. Muitas delas, se sabe, só servem para nos enganar. Assim que encontra a verdade, a essência das coisas, se dissolve. Surgem como a solução dos problemas. Envolvem, até que descobrimos que era só fachada, mentira. As fotografias hoje em dia são assim, mas a culpa não é delas, é nossa. Elas não registram mais o passado, elas só registram o presente, volátil de nossas vidas. Depois disso, ninguém sabe. Bom mesmo era quando havia aquele frio na barriga. Demorávamos uma semana para ter reveladas as fotos, daqueles filmes de enrolar. Depois, sentávamos na sala ou na mesa da cozinha a montar os álbuns e recordar o momento recém passado, que era guardado em um baú ou caixa de sapato. Hoje, se não é o Facebook ou Instagram a nos mostrar, ficamos sem história, sem memória. Até nisso relaxamos.

Legado

Mas voltando à vida, de fato: qual é a nossa história? Quais são as nossas memórias? Podemos contar nossa história de vida a partir das fotografias? Não há dúvidas, elas têm uma importância fundamental nesse resgate. São o guia da nossa biografia. No meu caso, me rendi às fotos digitais logo que soube da chegada da Bruna, minha primeira filha. Foi numa maquininha dessas que registrei os momentos antes dela nascer, o seu primeiro dia de vida e o desenvolvimento. Guardo essas memórias, impressas e em meio digital. O álbum de vida, a biografia da Bruna. Isso me faz crer que os filhos são um empréstimo divino que jamais teremos condições de pagar. Ficamos empenhados até a eternidade. Pelas fotografias percebi também como os filhos mudaram o roteiro da minha vida.

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