O melhor pão do mundo
O ser humano é realmente engraçado. Para quase tudo o que há, temos um “melhor do mundo”. É o melhor time, o melhor vinho, o melhor filme e por aí vai. E na semana que passou, descobri que há também o melhor pão do mundo. E mais, ele é fabricado aqui em Portugal e na minha cidade. É o pão do Rui e do José Carlos, dois padeiros da Covilhã, que venceram o concurso na categoria de pão biológico. Esse eu quero provar!
O que é mundo, afinal
Quando vemos estes superlativos aplicados a quase tudo o que se pode produzir, esquecemos que vivemos num único planeta. Soa exagero, dizer que somos o centro do universo e, portanto, passível de adjudicarmos o termo “do mundo”. Eu, sinceramente, prefiro que se diga que é da Terra, do planeta. Ademais, até que se prove o contrário, em algum lugar distante, é possível que tenhamos vida. Mas será que existe pão em outras galáxias? Seja como for, o pão é o alimento universal, presente em todos os cantos – do pla-ne-ta!
De volta aos pães
O pão é um alimento sagrado. Está em praticamente todos os lares onde não se passa fome. Feito à base de cereais, sendo o trigo o insumo mais frequente, o pão representa muito mais do que um simples alimento. É símbolo de comunhão, de festa, de fartura e de trabalho. Também é usado para designar pessoas avarentas, os chamados “pão-duros”. No sentido figurado, é citado nas sagradas escrituras e é também sinônimo de trabalho. Aqui em Portugal, é meu vilão, culpado pela minha gordura visceral.
O pão sírio
O pão sírio é uma marca registrada. Semelhante a uma massa de pizza, tem muita serventia na culinária. Porém, recentemente vi uma cena que me comoveu. A distribuição dos pães na Turquia e na Síria. Dois países, vizinhos ao conflito da Ucrânia, e que foram devastados por um terrível terremoto. Me chamou a atenção o fato de milhares de pessoas, da noite para o dia, perderem tudo, ao ponto de não terem nem mesmo uma barraca ou tenda para se abrigarem do frio. Ficam vagando, moribundos e incrédulos. Enquanto isso, seguimos nossas vidas, distraídos muitas vezes, podendo nos dar ao luxo de ir buscar o melhor pão do mundo, agora bem perto de casa. Quanto significado isso pode ter? Depende do seu grau de sensibilidade.
O teu melhor
E você, sabe qual é o seu melhor pão do mundo? Feche os olhos e imagine: lembre daquele inesquecível aroma. Imagine a textura da casca. E logo lembrarás, como eu também lembrei. E o meu melhor pão do mundo, era o que a Tia Nena fazia e levava, sempre que ia trabalhar lá minha casa. Era muito mais do que um “pão de casa”. Fazer uma “torrada” com aquele pão, com duas rodelas de copa, um queijo da colônia derretido, um ovo das galinhas caipiras do Sr. Rosalino, tomate e alface, faziam minhas enzimas digestivas saltitarem de alegria.
A nossa Tia Nena
Tia Nena foi nossa empregada doméstica, nos anos em que vivemos na Vila Alegre. Mas sempre tive dificuldades em qualificá-la assim. Ela fazia o trabalho da casa, sim, mas fazia muito mais que isso. No almoço, era quem sentava ao meu lado. Ela fazia os pães e partilhava conosco. Um carinho, uma atitude desinteressada, dessas que elevam a alma. É por isso que, o melhor pão do mundo que já comi, era o que a nossa querida Tia Nena fazia. E olha que a caridade era só uma das grandes virtudes dessa mulher admirável. Obrigado Tia Nena!