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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

A sétima arte

Por Marcos Vinicius Simon Leite

O cinema é conhecido como a sétima arte. É um sinônimo que todos conhecem. Mas e as outras artes, as outras seis, você sabe quais são? Seriam elas, menos importantes? Claro que não, até porque as artes já são bem mais do que sete e não estão numeradas em ordem de importância.

As outras seis

Antes de falar das outras seis, vou indicar um belo exemplar da sétima para que assistam e reflitam. O filme “As Nadadoras”. Conta a dramática história - real - de duas irmãs sírias, refugiadas, que deixam o país em busca de liberdade, paz e realização no esporte. Funciona como um documentário, por seu viés biográfico. Dá noção de como é viver em meio à guerra nos dias atuais, considerando que o apogeu da história se dá em 2016, quando das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

O filme

Pronto, agora que já falei do filme, eu digo quais são as outras seis. Arquitetura, escultura, pintura, música, literatura, dança e, por fim, o cinema. Está em sétimo lugar porque nasceu depois das demais, no início do século passado. Depois dele, outras formas de arte também reivindicam seu espaço, como a fotografia, a história em quadrinhos, os jogos eletrônicos e a arte digital. Seja como for, tudo aquilo que serve para expressar a boa energia criativa.

Mais do filme

Recentemente cruzei o Mar Mediterrâneo em uma confortável embarcação. O mar estava agitado e os passageiros ficaram mareados. Não pude não lembrar das cenas do filme. Foram milhares os refugiados que tiveram de enfrentar as águas para chegar até a Europa. Os coletes salva-vidas tornaram-se item de sobrevivência básica para quem decidiu deixar a ditadura de Bashar al-Assad, que em 2021 venceu as eleições sírias com 95% dos votos. Além do mar, precisaram enfrentar o frio, longas distâncias a pé, a fome e o oportunismo do ser humano. Mas encontraram também caridade e acolhida. O filme é lindíssimo.

Ditaduras

Em meio a estes sentimentos, causou-me uma certa estranheza, as comemorações do dia primeiro de janeiro, quando boa parte dos brasileiros comemoraram a vitória da democracia contra a ditadura. Ora, se o Brasil fosse, de fato e de direito, uma ditadura, não teríamos eleições livres. E tivemos. No mínimo, para quem assistir ao filme “As Nadadoras”, dizer que o no Brasil não é uma democracia é um ato de ignorância. Talvez este seja o mal do Brasil. Um país que não tem guerras sanguinárias, não tem catástrofes e conta com uma natureza mais do que exuberante.

As artes

Voltando às artes, nosso querido Brasil é expoente em todas elas. Na arquitetura, tivemos Niemeyer, na escultura, Aleijadinho e na pintura, Tarsila do Amaral, entre outros. Já na música e na literatura a lista é gigantesca. Na dança, há uma diversidade continental e no cinema, temos um festival em Gramado que este ano completará 51 anos. Em Porto Alegre, tem ainda o Clube de Cinema, um grupo de pessoas que todos os sábados se reúne para cultuar a sétima arte. Viu só, há muitas coisas boas no Brasil. Temos capacidade cultural e criativa. Se tivermos um governo criativo, filmes como o seriado nacional “O Mecanismo” serão meramente obras de ficção. Coisa do passado. Que venha o novo ano!

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