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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

Os filhos do mal

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Este foi o título de uma peça de teatro que assisti no final de semana. Mas porquê filhos do mal? Primeiro é preciso entender o que é bem e o que é mal. A partir daí é que se começa a entender as coisas. O bem e o mal sempre dependem de um ponto de vista. E o que a peça de teatro mostrou, é que o tempo decanta as histórias e quem conta o passado são finalmente as memórias. Estas sim precisam ser bem guardadas.

O Estado Novo

Houve um período em que Portugal foi governada por um ditador fascista chamado Salazar. O chamado “Estado Novo” durou de 1933 até 1974, quando ocorreu a “Revolução dos Cravos”. O embrião desse regime começou em 1926. Enquanto durou, Portugal teve apenas dois presidentes, António de Oliveira Salazar e seu sucessor Marcello Caetano. Em termos práticos, era um governo autoritário, uma clássica ditadura do século passado, como aconteceu em muitos países, inclusive no Brasil.

A Revolução dos Cravos

Até 1974, quando encerraria esse longo período ditatorial, Portugal insistia na prática do colonialismo, o que levou o governo a aplicar muitos recursos, humanos e financeiros, em guerras com suas antigas colônias, como Angola e Moçambique. Durante esta longa fase, o Partido Comunista Português foi praticamente o único a manter a resistência ao regime. Então, em 25 de abril de 1974, o exército, cansado dos mandos e desmandos do governo, decide apoiar a causa e dar fim à ditadura. A razão do nome, refere-se ao fato de que durante a derrubada do governo, os militares colocaram cravos na ponta de suas armas, em demonstrando que o movimento era pacífico.

Por gerações

A peça teatral buscou contar as histórias de famílias que estiveram dos dois lados. Dos aristocratas que receberam as benesses do governo, dos trabalhadores, que sofreram com as políticas de restrição e daqueles que lutavam na clandestinidade contra o regime. O mais curioso disso tudo, é que passados quase cinquenta anos do término da ditadura, as novas gerações hoje convivem em harmonia, o que seria impensável naquele tempo. Isso também permite que ideias antidemocráticas sejam rechaçadas pela maioria, por mais que existam radicais de direita e de esquerda em Portugal. O tempo decanta a mágoa.

Mais do mesmo

O chamado de teatro documental, contou histórias verídicas. Os atores contaram histórias de seus familiares. Mas o ponto alto do espetáculo foi quando os relatos da resistência contaram que as “lideranças” comunistas eram tão corruptas quanto as lideranças fascistas daquele tempo. Uma enorme decepção para aqueles que dedicaram suas vidas para combater o regime. Por essas e outras é que devemos estar sempre alertas. Não há soberania e tranquilidade nos extremos. É preciso construir pontes, fortalecer a verdade e combater radicais, sob pena de vivermos nessa gangorra que divide o poder e as oportunidades de justiça e prosperidade. Difícil mesmo é lutar com cravos na ponta das armas e o nosso querido Brasil parece estar às voltas com essa discussão.

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