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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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O erro de Judas

Por Marcos Vinicius Simon Leite

No último sábado, os brasileiros comemoraram o Dia Nacional do Livro. Por conta do momento, as comemorações ficaram modestamente restritas às redes sociais. Foi bacana ver meu livro fotografado entre outros, numa postagem feita por uma leitora de Erechim, amante incondicional da literatura. E foi, justamente nos livros, que busquei inspiração para escrever esta coluna, depois do desfecho da mais intrincada eleição da História do Brasil.

Perdão é liberdade

Sri Prem Baba é um autor brasileiro. Já falei dele em outras colunas. Em sua obra “Flor do Dia”, ele coloca que o perdão é sinônimo de liberdade, por ser o instrumento que permite a libertação. Segundo ele, um dos principais carcereiros dessa prisão é o orgulho e que, ao seu lado, está o medo. Desta forma, o autor define que muitas vezes é extremamente humilhante ter que reconhecer que você está magoado, o quanto está ressentido com a atitude do outro, o que faz de você um prisioneiro. Isso faz todo o sentido, ao menos para mim. Uma vez ferido o orgulho, a gente logo corre ao encontro do medo.

Nas escrituras

O evangelho de João (6:30) tem uma passagem em que Jesus é indagado: “Que sinal milagroso mostrarás para que o vejamos e creiamos em ti? Que farás?”. Trata-se de uma, entre diversas, em que Jesus é colocado à prova. Porém, ao invertermos essa perspectiva, podemos refletir e concluir com outra indagação: “Que sinal damos nós, para que a vontade divina seja feita?” Quais são os nossos bons exemplos, as nossas virtudes? E mais, como podemos, enquanto cristãos, praticar o bem, sermos reconhecidos pelo bem e, como isso requerer a intervenção divina pelo bem? Como vemos, são muitas perguntas, que ao ressoar, podem produzir mudanças em nossos comportamentos.

O ímpeto de Judas

Ao término de sua passagem, Jesus escolheu 12 apóstolos e, dentre eles, Judas, considerado por muitos como “o traidor”. Mas qual teria sido a postura de Judas para que o considerassem dessa maneira? O que haveria de ter feito de maneira diferente dos demais? A razão é simples: política. Judas entendia que Jesus deveria ser o rei e não apenas o salvador. Ele acreditava que Jesus pudesse locupletar-se de seus “poderes” para dominar o povo e então libertá-lo. Tanto é que o evangelho de João assim testemunha (18:3): “Tendo, pois, Judas recebido a coorte e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, veio para ali com lanternas, e archotes e armas”.

Futebol, religião e política

Já escrevi, aqui mesmo nesta coluna, que esta é uma mistura perigosa. Qualquer uma dessas valências, quando associada à outra, costuma não terminar em boa coisa. Agora, diante da vitória do ex predidente e ex presidiário, há muito o que ser discutido, menos o resultado das urnas. Esse, até que se prove o contrário, é incontestável. Assim como é incontestável que não se deve misturar política e religião.

A História da humanidade, pelas passagens bíblicas, aponta que foi justamente por conta da ânsia de poder de Judas que Jesus foi preso. Sua atitude, de provocar Jesus através dos guardas romanos nos fez conhecer o desfecho final. Cristo não opôs resistência, não promoveu o conflito. Sua arma sempre foi e continuará sendo o amor. Quando é que os homens irão aprender que só o amor é capaz de vencer? Que venham dias de vigília, controle e paz!

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