Democracia à brasileira
Em janeiro deste ano, publiquei uma coluna intitulada “O ano útil”. Nela discorri que 2022 seria um ano atípico. Em face de seus presumidos acontecimentos (eleições e copa do mundo), nos pareceria um ano mais curto. Pois bem, chegamos então próximos do início do fim do ano, conforme minhas previsões. E o que marca esse início do fim? A campanha política. Mas tenhamos calma! Quando me refiro em “fim”, é só o fim de mais um ano.
Recapitulando
Naquela ocasião (janeiro de 2022) escrevi: “Em outubro, correndo tudo bem com a saúde mundial, teremos eleições. Um novo presidente ou um velho conhecido, além da velha guarda do Congresso Nacional. Para o Rio Grande do Sul, a expectativa é de que não teremos reeleição, mas o nosso atual governador, para alguns, demonstrou ser capaz de surpreender”. Disso que escrevi, o que vimos até aqui foi uma guerra (doença mundial) e um ex-governador surpreendendo os desatentos, inovando como o soprar dos ventos.
Política
Falar de política é sempre chato. Repare: é um assunto que agrada somente à metade de uma pequena parcela da população: os que vivem - da - e os que vivem - na - política. Quem dela não vive, geralmente se enoja. Não faltam razões para isso. E esse é o ponto chave. Como se ela fosse assim mesmo, indigesta, para que os que vivem dela possam navegar sem atrapalhos. Platão dizia, resumidamente, que aqueles que se negam a fazer parte das questões governamentais ficam fadados a viver sobre o regime dos incapazes. Mas se hoje podemos falar, aberta e tranquilamente sobre política, é porque vivemos numa democracia que ainda nos respeita, em que pese a vontade de alguns em controlar a mídia.
Democracia
Nesse período eleitoral que se inicia, me causou estranheza que alguns estejam se manifestando em prol da democracia. Ora, a democracia é algo consolidado mundialmente como o meio normal e adequado para que qualquer nação funcione em padrões aceitáveis. Logo, se há qualquer movimento que precise ser defendido, são sempre o das minorias. Dou como exemplo os loucos que ainda defendem os regimes de exceção, as ditaduras, o nazi-fascismo e os absolutismos. São esses que procuram um lugar ao sol, em verdade, às sombras. Democracia não se defende, se pratica. Por isso é estranho. O que é normal não deve ser exaltado. São essas exceções à regra é que merecem cuidado e atenção.
De que lado você está
Nota-se, claramente, que esses apoiadores da democracia têm um lado. Assim como acusam os “do outro lado” de se apropriarem das cores da Bandeira Nacional. Por exemplo: sou um defensor da democracia, mas ninguém me chamou para assinar esse manifesto. Seria eu, um preterido cidadão anti-democrático? Tampouco ando por aí vestindo verde e amarelo. Por óbvio que defender a democracia é lindo e maravilhoso. Dá até uma certa saudade da emenda Dante de Oliveira. Naquele tempo era mais que necessário, porque não era efetiva. Mas hoje, entendo bem o que esses “defensores” pretendem. É reflexo daquilo que acusam os outros de fazerem. Ah, como seria bom se a bandeira do Brasil e a democracia não fossem estanderte de contendas. E assim seguimos. Não se identificou? Então você está fora!
O Brasil é um caso à parte
Infelizmente, esses dualismos criam um ambiente clubístico na política. Por mais que tenhamos uma infinidade de partidos, tudo termina em dois lados. Quem não se identifica com essa lógica grenal, fica de fora. Não temos mais ideologias. Não temos mais projetos de país. Somos uns contra os outros. Como consequência, contra o Brasil. Mais uma vez, não vamos eleger aquele que queremos. Será uma eleição às avessas. Você não vai votar a favor de um projeto. Vai votar contra um candidato. A Dilma tinha razão: quem ganhar vai perder e quem perder vai ganhar. É por isso que disse outro dia: finalmente chegou a vez dos idiotas. E parece que veio para ficar.