Os pelos
Não restam dúvidas, os pelos guardam muito mais informação do que a gente pensa. Eles são comuns a homens e mulheres. Entram e saem da moda conforme as décadas passam. Registram mais do que o nosso DNA, eles contam a nossa história, inevitavelmente.
Na juventude
É na juventude que eles aparecem. São demarcadores da puberdade. Informam, geralmente aos pais, que a intimidade da infância se converte em privacidade. Como se em pouco tempo certos comportamentos, totalmente inofensivos, ganhassem novos contornos. São pelos pubianos, nas axilas, no peito e nas pernas. Presentes naquele bigodinho tímido e na suíça que insiste em descer em direção ao queixo. Os antigos ainda diziam, quando algum menino demonstrava coragem: esse tem cabelo no peito.
Os pelos hoje
Na idade adulta, os pelos perdem o charme. São simplesmente ignorados. Conforme anda a moda, eles podem ser vilões ou adereço de destaque, para felicidade das barbearias, que se multiplicaram quase como as farmácias na atualidade. Movimentam a economia, geram empregos e perdem a função original, ficando renegados à questão estética.
Os pelos amanhã
Mas com o passar de tempo, os pelos vão indicando novas fases da vida. Surgem discretamente no pavilhão auditivo, até que passam a impedir a entrada de um simples cotonete, o vilão dos otorrinos. Em seguida mudam de cor, surgem discretos, junto com os primeiros primos ricos, os cabelos brancos. Sim, os cabelos são maleáveis, moldáveis e tratáveis, mas os pelos não. Parecem ser feitos do refugo da matéria-prima dos cabelos. E a idade, além de mudar a natureza dos pelos, faz as sobrancelhas crescerem. Reparei isso nas minhas. Nunca pensei que eu as cuidaria como quem faz a barba. São taturanas indiscretas a indicar a passagem de nossas décadas.
Pelo sim, pelo não
Talvez seja por isso que as mulheres prefiram os carecas, mas a recíproca não é verdadeira. Sorte deles, que conseguem esconder a passagem do tempo, ou não precisam perder tempo reparando, aparando, aprendendo a envelhecer. Seja como for, os pelos fazem parte da nossa vida, indicam a nossa idade, contém nossas informações genéticas e hoje são usados até para renovar a carteira de habilitação. Isso se você quer manter a pose de macho alfa e ostentar a categoria “D”. E assim vivemos, sempre aprendendo com nossa própria natureza. Salvem os renegados pelos!