Afinal, o que é socialismo?
Outro dia, num grupo de whatsapp, uns amigos liberais trocavam ideias sobre seus charutos cubanos. Não resisti e brinquei com eles, que são ferrenhos opositores do socialismo e disse: vocês, com esse hábito de fumar charutos, estão incentivando a economia cubana! Daí não tem embargo. Brincadeiras à parte, o terreno das discussões sobre o socialismo e o capitalismo nunca foi tão fértil.
No começo da guerra da Ucrânia
Dias antes da guerra, o presidente Bolsonaro, ferrenho combatente do PT e de seus vieses socialistas, esteve apertando a mão de Vladimir Putin, com quem se solidarizou. Errou o presidente, ao menos o alvo. Solidariedade a gente costuma praticar com os mais fracos, mas ele está no seu direito e deve ter suas razões para isso. O agronegócio é uma delas. Este segmento da economia que vem há tempos salvando o PIB brasileiro. Sob este prisma, o presidente foi cínico, quando na verdade, queria mesmo era manter a importação de insumos agrícolas, manter a produção, defender nossa economia. Alguns dias depois, o que se viu no mapa chamou atenção: os poucos países que se mostraram ser favoráveis ou neutros em relação aos ataques russos. O Brasil estava entre eles e apareceu junto de Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, Nicarágua, Belarus, entre outras nações de viés socialista e ditatorial. Por óbvio que foi um engano, uma barbeiragem. Um erro infeliz. Afinal, o que faria o Brasil, ali, no meio de países regidos por ditadores tiranos? Um estranho no ninho.
Um pouco de história
Talvez você não tenha a memória de um longevo brasileiro de 80 anos. Eu também não tenho. Logo, não lembra há quantos anos o Brasil não tinha um presidente militar eleito democraticamente. Nas minhas contas, desde o final da Segunda Guerra Mundial, com Eurico Gaspar Dutra, o Marechal (pós-general) vencedor das eleições de 1945. A primeira depois de 20 anos e da era ditatorial de Vargas. Mas ambos (Dutra e Vargas) formaram a mesma aliança, o que inclusive ocasionou o retorno do então ditador, democraticamente, em 1951. Mas tudo são aparências, fatos da História. O que vale mesmo são as atitudes. E neste quesito, os presidentes de nações socialistas costumam ser militares, mas de viés ditatorial e não democráticos. O Brasil costuma ser esquisito mesmo, talvez por isso Lula e Alckmin estejam enamorados, porque os políticos brasileiros têm essa habilidade em fazer acordos, e o povo, a capacidade de esquecer. A união perfeita.
Outras características
Desde Jânio Quadros (1961) o Brasil não tinha um presidente tão caricato. Bolsonaro é autêntico, diz o que lhe vem à cabeça e costuma não medir as palavras. Ao mesmo tempo, já deu sinais de que não curte muito essa tal harmonia entre os poderes, considerado um dos pilares fundamentais da República. É um político avesso ao “mi-mi-mi”. Por vezes foi ameaçador, ou se fez representar por seus asseclas, que no idioma inglês, também significa “minions”. Além disso, volta e meia é provocado por jornalistas sarcásticos, que com facilidade fazem brotar o lado belicista do presidente. Antagonicamente, por fora, Bolsonaro acaba por apresentar todos os predicados de um ditador socialista, mas qual é sua essência, afinal?
Na prática
Na prática, sem adentrar ao mérito de seu comportamento, Bolsonaro governa um país que ensaiava franca recuperação. Os números falam por si. Seu governo foi marcado por um problema de ordem mundial: a pandemia. Mal se acostumou ao cargo e todo o seu plano de governo foi pelos ares. A corrupção que assombrou as quatro últimas gestões anteriores não acabou, mas ao menos parece ter diminuído e muito. Adormeceu. Passou, o presidente, boa parte de seu governo sob as nuvens escuras da pandemia. Agora, em seu último ano, viverá sob a sombra da guerra e da reeleição. Não é fácil. Foi um presidente azarado. Se não fosse soberbo, seria digno de pena, como um Zelinski. O Brasil é uma economia forte, sim, mas ainda arrasta em seus calcanhares, anos de desigualdades não combatidas pelos governos de viés socialista que lhe antecederam, incluindo FHC.
Afinal...
Mas afinal, o que é socialismo? Custei a aprender. Socialismo é um tipo de regime, onde os seus simpatizantes se aproveitam de todas as dificuldades naturais de um regime democrático e liberal para apresentar soluções paliativas e aderentes aos anseios da população. Socialismo é como aquele colega de colégio, mais velho, repetente, descolado, que te oferece o primeiro cigarro, como quem oferece um chocolate, que sua mãe insiste em não lhe dar porque é caro, porque sua mãe respeita o teto de gastos da sua casa. Socialismo é um jeitinho, bem parecido com o “jeitinho brasileiro”, de bradar contra a lógica, de deixar para depois, como aquele marido apaixonado, que quando bebe, bate na mulher, mas quando está sóbrio é um cara encantador, capaz de fazer a vítima tornar a se apaixonar, na esperança de dias melhores. Um amor. Algo como naquela cena em que Hitler castiga uma galinha diante de seus súditos, quase matando-a, para em seguida, oferecer grãos e, diante dos olhos de todos, a galinha torna a comer em sua mão.