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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Ateísmo cristão

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Eu acredito em Deus. Não tenho como não acreditar. Mas eu acredito em ateus também. Tenho amigos ateus e são pessoas extraordinárias, mas confesso que às vezes é difícil conversar com eles, especialmente sobre alguns assuntos que considero interessantes. Afinal, falar do que a gente conhece é fácil, basta reproduzir. Mas filosofar, perquirir e explorar o desconhecido com quem não crê, é limitante, ao mesmo tempo em que é provocante.

Exemplos de ateus

Com muito destaque por sua eloquência, Leandro Karnal é um ícone quando se fala de pessoa que não crê em Deus. Já creu, quando a ciência não o perturbava. Assisti mais de uma vez ao vídeo onde ele expõe as razões da sua não crença. Relata sua “secura espiritual” e, por vezes irônico, não perde o poder de um bom silogismo para explicar suas razões. Ademais, razão e fé são valências geralmente incompatíveis. Em meus parcos conhecimentos, entendo que o pensamento científico difere do pensamento filosófico. Deus pode ser filosofia, mas não é matematicamente compreensível dentro de quatro operações. Se Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, como no Livro de Gênesis, e se ainda não conseguimos compreender os homens, como ousar compreender Deus? Mas os homens existem. Nós os vemos, sentimos. Somos todos um.

Os meus ateus

Como disse, tenho amigos ateus. Os que conheço são seres muito evoluídos, quando comparados aos demais. Possuem um senso de coletividade essênia. São boas pessoas, de excelente convivência, de caráter íntegro e, incapazes de fazer o mal. Apresentam grande senso de justiça. Até ousaria dizer que são cristãos, por suas condutas, posturas e retidão. De que vale o Evangelho a eles, se são corretos na prática? Sendo assim, é até bom que não creiam em Deus, sob pena de flertarem com o pecado. Assim como Karnal afirma, a gente não pode impor aos outros a nossa crença. Eu também creio nisso.

Filosofando

Mas filosófica e antropologicamente, não me furto de levantar hipóteses. Seriam estes ateus, seres mais evoluídos, sob o ponto de vista espiritual? Estariam, na visão de quem crê, mais pertos de Deus, ao ponto de se assemelharem (em comportamento) a ele, como em Gênesis? A antítese é verdadeira, pois aqueles exemplares que andam por aí cometendo erros e mais erros, costumam ser classificados à conta dos endemoniados.

O bom ateu

Considerando a iluminação espiritual um vetor de sentido vertical, se os ateus “só olham para baixo” e não vêem Deus, é porque lhes chama atenção a porção maior. É como subir uma escada. Nos últimos degraus, temos a visão do que está por baixo. Não por isso, se deixam atrair por comportamentos reprováveis e, como defensores do bem, não podem crer que Deus é capaz de permitir que coisas absurdas aconteçam a pessoas de bem. E às do mal, seria permitido? Como uma “lei de causa e efeito”? Há uma certa incoerência nisso, bem lá no fundo, no meu particularíssimo ponto de vista. Afinal, se ateus justificam a inexistência de Deus citando tais fenômenos, é porque no fundo sabem, ainda que inconscientemente, que há sensíveis diferenças entre o céu e o inferno. Não sou ateu, mas admiro muito o comportamento dos meus poucos amigos que são. Humildes e iluminados, evangelistas que não lêem o evangelho, mas o praticam. Tenho muito o que aprender com eles, graças a Deus!

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