Feliz Ano Velho
Durante muitos anos, procurei brindar a chegada de um novo ano sem grandes expectativas. Aprendi com um antigo chefe que nada muda de um dia para o outro. As mudanças estão sempre dentro de nós. Mas que é inteligente essa ideia de cortar o tempo em anos, disso eu não duvido. Porém, essa minha ideia de não programar, não festejar tanto e principalmente não reclamar do ano que passou, parece que finalmente deu certo, alinhou. Interessante isso: não programar nada e tudo dar certo.
P...mia
Em 2019, vivi um ano muito novo e difícil em minha vida. Quando finalmente terminou, sabia que minha vida não iria mudar como muda o calendário. Porém, o que eu não esperava – e o mundo também não – é que viria a tal da P...mia. Não suporto mais nem escrever esse termo, por mais que eu saiba que ele vai conviver por muitos anos em nossas vidas. E 2020 terminou para os outros, conforme terminou o meu 2019, sestroso, mas com um toque de esperança. Começou então o 2021, mas já calejado, ousei não comemorar e não criar expectativas. Foi a melhor opção. A segunda onda foi bem pior que a primeira, mas estou vivo. Minha família sobreviveu. Um privilégio.
Feliz Ano Velho
Por isso, que a partir de hoje, não vou mais comemorar o ano novo. Vou comemorar só o velho. O velho a gente já conhece. É como trocar de carro usado. Quem não curte mais se aborrecer, é melhor ficar com o que tem, ou como Marcelo Rubens Paiva em seu livro: Feliz Ano Velho. Não é conformismo. Nada disso, é gratidão. Afinal, se você está lendo esta coluna, é porque não foi um dos quase 700 mil mortos nessa P...mia. A palavra de ordem, então, é gra-ti-dão. Quando você realmente descobre o seu significado, tudo fica mais leve, até o ano que passou.
Lembrar do que é bom
Lembrando meu 2021, revisando tudo o que me aconteceu, eu prefiro focar aquilo que deu certo. Não fiquei desempregado, por mais que os negócios da minha família tenha sucumbido à P...mia. Por outro lado, tive tempo de pensar na vida, de estudar, de ler bastante e de me inspirar e novos horizontes surgiram. Vivi a segunda onda do que é essencial, a onda do desapego. Se, em 2019, fui agraciado com um filho especial, que quando nasceu mal se mexia, em 2021 pude vê-lo caminhar e começar a sua grande recuperação, a começar por seu vasto vocabulário de poucas palavras, todas suficientes. Quando ele diz um “ah não”, a gente se encanta. Ele tem muito crédito para reclamar e assim o faz com um senso de humor fantástico. E como um rapaz, latino-americano, sinto que tudo é divino, tudo é maravilhoso. E foi bem assim.
Obrigado leitor!
Outra novidade desse 2021 foi meu novo trabalho como Secretário Municipal em minha pequena cidade. Pude aprender como é importante e como é difícil servir as pessoas. Mas de tudo o que fiz nesse ano que passou, o melhor de tudo, talvez o que mais tenha me realizado, é escrever duas vezes por semana para este jornal. Por isso, para 2022, por mais planos que eu tenha, não criarei expectativas, só pensamentos positivos para que o universo se encarregue. Aprendi que o que dá certo é aquilo que depende da gente e a gratidão abre as portas para que possamos realizar coisas novas. Pense bem. Mesmo em meio a um ano difícil, sempre há coisas boas. Seja grato, trabalhe com amor e o universo se encarrega do resto. Obrigado a você, leitor por sua tolerância. Parabéns Sabrina, por estar por trás de tudo de bom que a vida me dá. Feliz Ano Novo!!!