Tudo que é chato, te prejudica
Você já parou para pensar, que tudo o que é chato te prejudica? É assim, desde que nos entendemos por gente. Quando criança, tomar banho se torna uma coisa chata, simplesmente porque temos de parar de brincar. Sair do banho, também é chato, por que a criança tem que encerrar a brincadeira no chuveiro. Mas depois de adulto, as chatices são outras e é delas que vou falar.
Tipos de Chatice
Eu poderia até fazer uma lista das dez coisas mais chatas na vida das pessoas, mas o propósito não é esse. A ideia central, é identificar aquilo que você é induzido a fazer, mas que por ser chato, permite que alguém te passe a perna, literalmente. Vamos começar pela economia. Quantas pessoas você conhece que gosta de economia? Logo, se você não é do mundo dos negócios, o assunto economia se torna chato demais. Taxa Selic, CDI, teto de gastos, superávit primário, preços públicos, Swap e Bitcoin. Não investiu nada em Bitcoin? Não diga isso num churrasco de amigos. É uma infinidade de termos que faz com que somente os economistas conversem entre si. Por consequência, você que lutou para ter um capitalzinho, fica refém, porque não estudou economia. Você destrava o celular e aparece um vídeo do Youtube dizendo que você pode ficar rico sem sair de casa. Grande oportunidade em tempos de pandemia.
Os estereótipos animais
Imposto de renda é outra coisa muito chata. Eu, que sou contador e lido com as declarações há mais de 25 anos, posso afirmar isso com segurança. Tenho amigos contadores que odeiam fazer suas próprias declarações. Fora aquela sensação, fruto da invenção dos anos 80, de quando a Receita Federal criou a figura do leão. De um lado, o dragão da inflação e, de outro, o leão do imposto de renda. Quem vai te devorar primeiro? Já conversou com um fiscal de tributos? Parece que a empatia deles não existe. São como astros de rock quando estão dormindo. Melhor não acordar. Assim, outra vez, você que lutou para acumular um capital, se vê pequeno diante das inúmeras alterações da legislação tributária. E vive inseguro, porque até mesmo o teu contador pode estar enganado, ou mesmo, se enganando.
A velha política
E a política? É outra espécie nojenta. De quatro em quatro anos, quando começam as especulações e as alianças, você se sente um palhaço. O cara que tu defendias, aquele que parecia ser um modelo de político, boa reputação, o “agora vai”, aparece de mãos dadas com o antigo inimigo e você, fica com aquela cara de tacho. Pior, passa a ser o inimigo dele, dependendo do caso. Os impropérios, todos registrados em áudio e vídeo, tudo é coisa do passado e o perdão dos dissidentes te faz sentir um anticristo. Se tua memória for fraca, corre o risco de ficar se perguntando, quem de fato está errado, tamanha a confusão. E assim, a política, como a economia e o imposto de renda, vão dificultando a tua vida, ao ponto de você acreditar no primeiro cara pintada que aparece se dizendo “terceira via”. De onde surge a terceira via? De dentro da própria política.
E a saúde, como vai?
E a tua saúde? Tudo certo? E os exames de sangue, estão em dia? Quer coisa mais complicada? Parece que a gente faz o exame para os médicos, quando em verdade, os exames são nossos. É o nosso sangue que está sendo analisado. O que você faz se teu magnésio aparece com resultado inferior a 1,6? E a tua hemossedimentação, está inferior a 15? Já pensou se teu ácido fólico fica maior do que 18? Se você, assim como eu, não entende nada disso, como é que vai perguntar para o médico? Qualquer coisa que ele disser, você tem que aceitar. E se ele errar? Ele também é gente. É possível que não conheça economia e geralmente é a presa preferida do leão do imposto de renda. Preenche lá, no campo das ocupações “médico” e você se torna um cliente Prime da Receita Federal.
Por que facilitar?
Então, por que que as coisas são assim? Porque tudo o que é difícil, em verdade, serve para te prejudicar, para alimentar a tal da ciência. Essa ciência que produz vacinas em tempo recorde, tão boas que você tem que tomar várias doses. A mesma ciência que aprova um medicamento que faz a mãe lactante produzir leite como uma vaca Jersey, mas que pode causar demência no bebê. A mesma que diz que os choques de oferta e demanda podem causar inflação, quando o gerente do banco te liga precisando vender um seguro e te oferece uma nova oportunidade de investimento, bem na hora que você está levando seu filho à escola, que te olha com aquele olhar de “como meu pai se preocupa com isso”.
Enfim, somos todos patos, sem ofensa à classe animal. O mundo te vende a ideia de progresso, de sucesso e você, como um pato, embarca. Perder se torna vergonhoso. Você vota no sujeito que vai diminuir o imposto, mas os economistas precisam equilibrar a conta, criando mecanismos ardilosos. Tu te matas trabalhando para conquistar o que te vendem e esquece da tua saúde. O médico te dá uma estatina para reduzir o colesterol ruim e suas pernas passam a doer, deixando o teu futebolzinho terapêutico dolorido. Então, você fica velho, sábio e descobre que nada disso era necessário. Porque facilitar?