14°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

A vida é feita de perguntas

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Comecei ontem a leitura do livro Crime e Castigo, do Dostoiévski, de 1866. Já nas primeiras páginas, o provável desdobramento do livro me reanimou a grande pergunta da humanidade: quem somos, de onde viemos e para onde vamos? Como já dito em outras colunas, o assunto da morte (em verdade, da vida) é realmente fascinante e dentre esses fascínios, está esta inquietante questão: para onde vamos depois da morte? Antes de você continuar lendo, já vou logo avisando: não será aqui, numa coluna de jornal que você vai encontrar essas respostas. Mas pode ser, quem sabe, que aqui você encontre perguntas que possam te levar a um novo universo que, inclusive, está dentro de ti.

Respostas geram limitações

Antes de tudo, para atingirmos um certo grau de conhecimento sobre a vida, é preciso ter perguntas e não respostas. As dúvidas, os questionamentos, esses nos fazem pensar. As respostas, por serem estanques, podem criar limitações. Quando verdadeiras, nos alijam e, quando falsas, mais ainda. E são elas, as limitações que impedem os seres humanos de acessarem conhecimentos que estão disponíveis, mas que no embriagar do dia a dia, vamos nos anestesiando num mar de distrações, conteúdos voláteis e de pouca valia. Até que chegamos diante da tal da morte, para uns, tão assustadora e temível.

Consciência Socrática

Dentre as questões que mais me vêm à cabeça, tem sempre uma que é bem específica: porque, num mesmo ambiente, temos pessoas de bom caráter e de mau caráter? Porque temos criminosos, pessoas violentas e ao mesmo tempo temos pessoas religiosas, caridosas e amorosas? E a única resposta que consigo alcançar se chama “consciência”. Em sua etimologia, o termo nos remete a um estado de espírito, de estar ciente, ter senso íntimo, autoconhecimento, de estar presente, de saber, discernir e julgar. Também, refere-se à capacidade de percepção da realidade, da verdade, como forma de diferenciar o que é bem e o que é mal. Consciência é a fonte da moral. Como Sócrates, 400 a.C., tudo que sei é que nada sei. Eis o ponto de partida.

O que é eterno nessa vida?

Por tudo isso é que me faço outra pergunta: a morte do corpo encerra a nossa consciência? Se sua resposta é sim, você deve ter bons argumentos para afirmar, ou já passou por uma experiência de quase morte, diferente de todos os outros que “voltaram” a viver em um corpo dado como morto. Mas o que me faz acreditar que nossa consciência continua, é o fato de ela ser cumulativa e, quiçá, infinita. Se não fosse assim, a morte realmente seria como um precipício e de nada adiantaria estudar, amar, vivenciar, sofrer, rir, se emocionar. Nada, absolutamente nada. Sem emoções, como uma pedra. Todos sabem que caixões não tem gavetas e, até mesmo os mais materialistas são capazes de saber o que se leva dessa vida: a consciência. Nem que seja, para o caso dos materialistas, a consciência de que não se leva os bens materiais, somente as memórias, nossos bens eternos.

Esteja preparado!

A partir dessas perguntas, nesse caminhar do autoconhecimento, vão surgindo outras, como esta: se a consciência não cessa, porque não estudar e nos preparar para o “vestibular” da morte? Assim, quanto mais autoconhecimento a gente acumula nessa vida, mais bagagem teremos para enfrentar o desconhecido, o oculto. É como uma espécie de memória preparatória para o que vem depois da vida na terra. E neste ponto, não interessa a sua crença. Você sabe que o seu corpo fica para trás. Seja enterrado, cremado ou destinado ao estudo cadavérico. O corpo fica, mas você vai, ou melhor, a sua consciência vai, só não sabe para onde, ainda que alguns já saibam onde tudo isso vai dar.

A vida não cessa

E nessa nossa sociedade-hospício, onde milionários dividem o mesmo chão que miseráveis, onde velocistas convivem com cadeirantes, neste mar de antagonismos, infelizmente encontramos muitas respostas. Nesse meio, há uma cultura religiosa ultrapassada, há certezas inertes e superficiais. E para o bem da humanidade, seria bom que pudéssemos, na mais singela expressão, sermos tementes à Deus, acreditando que a vida não cessa, como dizia o Apóstolo Paulo: “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança”.

Então, um certo dia, há de chegar a nossa hora. E para que possamos estar conscientes, vívidos e especialmente prontos, é preciso trabalhar. Por isso, entre as respostas e as perguntas, eu fico com as perguntas. Só elas são capazes de multiplicar o conhecimento e, por consequência, novas respostas. E, naquilo que não temos alcance, a fé preenche, como Paulo em Hebreus 11:1:“a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem”. Certezas e respostas? Só depois da morte, pois o barato da vida são as perguntas.

 

Blog dos Colunistas

Publicidade

Horóscopo

Câncer
21/06 até 21/07
Previsões de 19 de dezembro a 25 de dezembro Sol e...

Ver todos os signos

Publicidade