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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Conheça a tua obra pelas tuas ferramentas

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Em minha coluna de ontem, abordei o tema da morte, num viés relacionado à continuidade da vida, noutro plano, em um sentido evolutivo da alma humana, a partir do desenvolvimento da nossa consciência. E, para minha boa surpresa, a edição do dia 1° de dezembro abordou, na página 19, a morte na visão espírita. Inspirado no que li e na pauta da minha viagem à Telêmaco Borba, hoje queria falar sobre as nossas ferramentas, aquelas que recebemos quando nascemos.

O que tem dentro da nossa mochila?

Aproveitando as longas horas de viagem, conversei demoradamente com minha filha, que hoje tem 15 anos. Como pai, buscava passar um pouco do que aprendi, para tentar facilitar as coisas. Pretensão paterna, eu sei. Hoje os filhos já nascem quase sabendo, já vem na mochila deles. Por isso insisti com ela nas perguntas: Quem é você? Qual é a tua obra? Porque viemos? A partir dessas perguntas, encontrei um jeito de simplificar as coisas e queria compartilhar com os leitores sobre aquilo que considero ser as quatro valências de nossa vida na Terra. Não que isso seja uma verdade. Não! É um ponto de vista e, por óbvio, expressa o que entendo hoje e, certamente merece ser aprimorado. Então, entre as paisagens do Vale do Contestado, ensinei minha filha que, quando nascemos, alguma força divina nos fornece quatro valências, ou mais. São elas: os dons, as pessoas, as provas e as expiações.

Os Dons

Os dons são os precursores dos nossos talentos, aquela atividade que faz o nosso olho brilhar e que encanta aos outros. É nossa principal ferramenta. Para uns, vem através de vocação, como no caso dos professores e dos sacerdotes. É preciso “ouvir” e quem é verdadeiramente professor ou sacerdote, tem sua história para contar. Então, os dons acabam sendo os meios pelos quais iremos realizar a nossa missão de vida, o nosso propósito, depois que se transformam em talentos. Basta que miremos os exemplos que aí estão: Nelson Mandela, Airton Senna, Pelé, Marília Mendonça, Eistein, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Cada um com seu talento. Olhem aquela brasileira, de 13 anos, que ganhou medalha olímpica. É a prova disso. Dons são características natas da pessoa. Por isso, conhecer as habilidades, os tipos de inteligência, como as de Gardner, são tão importantes para que as pessoas sejam felizes e realizadas. Como diz aquele ditado gauchesco: ovelha não é para o mato!

As Pessoas

As pessoas, por sua vez, são aquelas almas, que de alguma forma se fazem presentes em nossa vida. Afinal, o que explica você ser tão encantado em uma determinada pessoa? Ao mesmo tempo, porque sempre encontramos pessoas com quem temos desentendimentos? Perguntas, perguntas e mais perguntas, sempre elas. Mas uma coisa é fato: ninguém consegue cumprir seu propósito sem contar com pessoas. Isso explica porque você nasceu no Brasil e não no Burundi. As pessoas são o seu ambiente de trabalho evolutivo. São elas que irão te gerar conflitos, proteção, desvios, assim como são elas que irão despertar a grandeza da tua alma. Não há vida humana sem pessoas.

As provas e expiações

Por último, nessa “mochila”, temos as provas e expiações. Numa visão reencarnacionista, ou não, passamos por determinadas provas e também somos expiados. Na visão espiritualista, as provas são desejos do espírito, que busca na vida na Terra, aprimorar e evoluir. É uma espécie de estágio no qual o espírito, agora indivíduo, precisa superar para evoluir. Assim, todos os vícios, manias, defeitos, precisam ser superados através das provas. É a grande lógica da reencarnação. Vencer uma doença grave, conviver com uma síndrome durante sua existência, administrar uma fortuna. Tudo são provas que seu espírito escolhe viver e, como vivemos entre pessoas, suas provas também servem de provas para os outros. É muito interessante e tudo está interligado. Já as expiações, são as provas que a espiritualidade “apronta” para você. Não que ela lhe queira mal, mas as expiações funcionam como uma contrapartida, são os desafios que lhe são impostos para o teu bem, para a tua evolução e a evolução das pessoas que contigo convivem. Do contrário, seria muito egoísta da sua parte, escolher sozinho o que melhorar. Afinal, os outros também sabem muito sobre nós e sabem do que precisamos, mas nem sempre é possível nos dizer.

Se quiseres respostas, aceite as perguntas

Talvez eu tenha sido superficial demais, talvez profundo demais. Depende de cada um. Varia de quão evoluída é a pessoa, de qual estágio se encontra. Isso explica porque temos, num mesmo plano ou momento, uma Irmã Dulce e um Adolf Hitler ou mesmo aquele vizinho seu, do qual você não sabe nem o nome, mas que te acena sempre com um sorriso no rosto, como quem diz: eu vejo você! Eu te conheço! Portanto, se você não sabe porque veio ao mundo, pare! Conheça os teus dons. Aprofunde-se com as pessoas e você certamente entenderá porque a vida te impõe limites. Se quiseres respostas, aceite as perguntas e conheça a tua obra pelas tuas ferramentas. Quem me dera saber disso aos 15 anos. Boa viagem!

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